terça-feira, 10 de novembro de 2009

CAP. XXII – Fim da 2ª Parte – O AMOR


Lisa sente um aperto no coração. Segura o peito angustiada e corre para o telefone. Liga diversas vezes para o celular de Luiza. ‘Lu atende!’

O suor começa a brotar em sua testa. Olha para os lados do consultório e caminha ansiosa até a recepção. Observa o movimento no saguão e volta ainda mais agitada para sua sala. Algo acontecera a Luiza. Ela sabia! Segura a cabeça tentando aliviar a pressão sobre a mesma e novamente corre a recepção.

- Marcela, por favor, pode ligar para o hotel que Luiza se hospedou e ver se ela já saiu de lá?

- Pois não Doutora Lisa. Um minuto.

Lisa espera ansiosa a ligação se completar.

- Como? Já saiu? Pode me dizer a quanto tempo. Onze horas? – Olha para o relógio de pulso. Meio dia. - Ok, obrigada.

Desliga o telefone nervosa.

- Doutora... acontece alguma coisa?

- Não... Não sei... eu... bom obrigada Marcela.

Lisa mais uma vez retorna ao consultório. Apóia as mãos sobre a mesa e respira fundo. ‘Calma Lisa, está tudo bem, está tudo bem. Não aconteceu nada a Lu. É tudo coisa de sua cabeça. ’

Retoma suas tarefas na clínica tentando ignorar o aperto que não saia de seu peito. Já passava das três horas quando, sem conseguir mais conter a angustia, volta a ligar para o celular de Luiza. Não consegue esconder a surpresa ao ver a ligação ser atendida por uma voz masculina.

- Alo? Quem fala?

- Com quem estou falando?

- Senhora... meu nome é Pedro... sou médico... a senhora é parente de Luiza Stanley?

- Eu... –Lisa sente como se uma mão esmagasse seu coração – Aconteceu algo a Luiza??

- Senhora...

- Pelo amor de Deus!!! Eu sou a esposa dela! Responde! Aconteceu algo a Luiza?

- Senhora... - O médico tenta esconder a surpresa ante a informação dada e devido à mesma não busca maiores esclarecimentos sobre a pessoa do outro lado da linha - Ela teve um acidente. O carro em que estava foi atingido por um caminhão e... infelizmente nada podemos fazer por ela.

- NÃO!!!!!!!!

O grito ecoa pela clinica. Roberto pula assustado da cadeira e junto com outros médicos corre à sala de Lisa. A encontram em prantos inclinada sobre a mesa. Enquanto alguns colegas buscavam ampará-la Roberto pega o celular ainda ligado.

- Alô. Aqui é o Doutor Roberto Brumont da Clinica Avencar. Com quem eu falo?

Em silencio escuta as palavras do outro lado da linha. Após alguns minutos, sério e contrito desliga o telefone. Arrasado olha os colegas de trabalho, especialmente Lisa que apoiada sobre os amigos, mantinha a cabeça baixa numa postura de total derrota.

- A Doutora Luiza sofreu um acidente.

Todos se olham assustados. Lisa começa a soluçar angustiada.

- Ela... não resistiu aos ferimentos. Lisa... filha.

- Não... não... não...

Roberto olha um pouco perdido o desespero da amiga. Com um gesto discreto acena para que Jairo o acompanhe.

- Providenciarei para que a família seja avisada e depois irei para Curitiba. Não deixem Lisa sozinha.

- Tudo bem... Tranqüilize, eu cuido de tudo por aqui.

Jairo retorna ao consultório e arrasado ampara Lisa. Como todos na clínica, sabia do envolvimento de Luiza e Lisa e aceitava com naturalidade o amor de ambas. ‘ Por que meu Deus? Porque fez isso com Luiza? Porque fez isso com Lisa?’

Balança a cabeça inconformado. ‘Porque a vida tinha que ser tão injusta?’

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‘Finalmente em casa’

Joyce sai do carro e verifica a caixa de correio. Pega as cartas e caminha em direção a porta verificando as mesmas. Para ligeiramente ao segurar um envelope pardo. ‘Lisa...’. Vira a carta e olha o destinatário. Mariana. Nota então outro envelope parecido e o pega. Este era para si. Abre-o e arregala os olhos ao ver o Cartão Postal. ‘ Uau! Índia!’ Vira o mesmo e lê a pequena dedicatória.

Jô, a Índia é simplesmente maravilhosa com seu passado esplendoroso e seu povo hospitaleiro. Jamais vi um país tão místico.
Dê beijos a todos.
Com carinho Lisa.

Com um suave sorriso entra em casa e vê Carlos e os meninos assistindo televisão.

- Boa noite galera.

- Boa noite mãe. - Rick e Luiz nem tiram os olhos do aparelho.

Carlos abaixa os óculos e sorri educado para ela.

- Boa noite Jô. Tranqüilo o dia?

- Até que foi Carlos. Ainda bem. Quero distancia de problemas. Bom vou por uma roupa mais confortável. – Sorri e sobe a escada. No caminho olha novamente o pequeno Cartão Postal. ‘ Até quando Lisa continuará sua fuga pelo mundo?’ Suspira um tanto triste e toca levemente o coração. ‘Lisa... ’

Entra no quarto de Mariana e deposita suas correspondências na cômoda. Distraidamente olha o quarto da filha. Um ambiente moderno com cores fortes. Passa as mãos no cabelo e sai do quarto, com os pensamentos agora voltados para a filha. Desde que esta soubera da tragédia que se abatera sobre a vida de Lisa mudara radicalmente seu modo de ser. O ar adolescente sumira de seu rosto, dando espaço a uma expressão mais compenetrada e séria. Terminara o namoro e passara a se dedicar com afinco aos estudos. Iniciara um curso web designer e logo conseguira estágio em uma empresa bem conceituada no mercado. Logo fora contratada por sua dedicação e envolvimento com o trabalho. Atualmente fazia Faculdade de Engenharia da Computação. Um motivo de grande orgulho para Carlos e Joyce. E também de grande preocupação. Mariana que completara 18 anos a alguns meses, nunca mais trouxera nenhum pretendente em casa. Os padrinhos Marcos e Paula às vezes brincavam dizendo que era porque ela havia puxado o gênio de Joyce. Mas o motivo real somente Mariana o podia dizer. E isso ela jamais diria.

Era como se a morte de Luiza a tivesse afetado tanto quando a Lisa.

- Mariana... filha... - sussurra Joyce baixinho.

- Joyce? Tudo bem?

Jô é interrompida de seus pensamentos por Carlos.

- Está sim Carlos. Por quê?

- Está muito séria só isso. – Carlos a abraça carinhoso.

Joyce retribui o abraço com afeto. A relação dos dois já há alguns meses melhorara bastante. Tudo caíra numa rotina cômoda, agradável e conveniente a ambos.

- Jô, estou pensando em levar os meninos para comer um sanduíche. Vem conosco?

- Hum Carlos – Joyce torce o rosto. – se não se importa prefiro ficar em casa e tomar um bom banho. Não fica chateado?

- Não, eu calculei mesmo que não ia querer ir. Deixe-me ir então. Até mais tarde.

- Até Carlos.

Jô ao ouvir o som da porta de entrada abrir e depois fechar, imediatamente pega o telefone e disca um numero.

- Alo?

- Juliana? É Joyce.

- Ei querida! Tudo bem?

- Está sim. Olha, amanhã consegui a tarde livre. Acha que pode se encontrar comigo?

- Hum... acho que sim. Vou ver se consigo uma folga. Te ligo confirmando ok.

- Ok... está tudo bem?

- Está sim Jô. Márcia andou tendo as velhas crises de ciúmes, mas agora já está tudo bem.

Joyce franze a testa preocupada.

- Acha que ela desconfia de alguma coisa?

- Acho não querida, tenho certeza. Mas desde o inicio ela aceitou termos um relacionamento aberto. Está comigo totalmente ciente disso. Não vou mudar. E você tudo bem?

- Ótimo. Carlos saiu com os meninos e a casa está um sossego. Vou aproveitar para tomar um banho bem demorado.

- Hum... pena não poder estar com você. Ia adorar te dar este banho.

- Sei senhorita Juliana! Ate parece que seria só um banho. Bom deixe-me ir. Beijos querida.

- Beijos Jô.


Mariana suspira e solta os objetos sobre a cama. O dia fora exaustivo. ‘Preguiça de ir a Faculdade’. Caminha em direção a cômoda e vê a correspondência. Pega-as sem grande interesse até ver o envelope pardo com a letra familiar.

- Lisa!

Senta-se na cama e abre o envelope ansiosa. Era da Índia. O cartão postal mostra uma linda imagem do Taj Mahal.

Nota da autora: O Taj Mahal, uma das construções mais perfeitas da Terra, é um memorial eterno projetado por um líder indiano em homenagem a seu amor perdido. Essa pérola da arquitetura concebida em mármore foi descrita pelo poeta Rabindranath Tagore como "uma lágrima no rosto da eternidade" e, por isso mesmo, é impossível ser traduzida apenas em palavras.

Abre a carta e a lê com um sorriso nos lábios. Lisa descrevia em tom inebriante as cidades pelo qual passara e as pessoas que conhecera.


Mari é tão linda a forma de pensar indiana. Suas crenças, sua diversidade, tudo é fascinante.
Sabe o que mais me fascinou?
A flor de lótus. Pois é feiticeira, para os indianos esta flor, devido ao fato de crescer na água pantanosa e não ser afetada por ela representa que devemos ficar acima do mundo material apesar de viver nele. E suas centenas de pétalas representam a cultura da "unidade na diversidade” Ela é o símbolo da expansão espiritual, do sagrado, do puro. Na minha humilde visão ela simboliza o amor universal... tão verdadeiro quanto eterno. Não é lindo?
Mas o mais perfeito na Índia é sua filosofia. Para os indianos a vida é um eterno retorno, que gravita em ciclos concêntricos terminando no seu centro, coisa que os iluminados atingem. Os percalços do caminho não são motivo de raiva , assim como os erros não são uma questão de pecado , mas sim uma questão de imaturidade da alma.
Ah Mari!! Eu poderia te contar muito mais coisas (principalmente porque sei que é espírita e crê em reencarnação e vidas passadas), mas acredito ser melhor termos esta conversa pessoalmente.
Beijos cheios de saudade.
Com amor
Lisa

O fim da carta deixa Mariana comovida. Leva esta aos lábios, beija-a e a coloca sobre o coração. Sentira nas palavras de Lisa um sentimento diferente... de alegria... de tranqüilidade e aceitação. ‘ Deus tomara que eu esteja certa’.


Lisa caminha entre as árvores respirando o ar puro e fresco da tarde fria. Ao avistar a lápide que buscava prende a respiração e se aproxima. Devagar se ajoelha e passa a mão sobre o nome impresso. ‘Lu... ’ Lágrimas silenciosas caem de seus olhos.

Ergue o olhar para o céu e observa o suave entardecer. Já se passara mais de um ano que sua amada partira. Um ano de fugas e descobertas.



Presa ao sofrimento de perder Luiza vendera todos os bens conquistados, pegara suas economias e partira para uma viagem sem destino. Tudo que queria era esquecer, fugir, sufocar a angustia de seu peito. Deus para ela não mais existia. Mas os meses passavam lentos e sua dor não diminuía.
É quando em Portugal, conhece um casal idoso que mora na Índia e cuja mulher era brasileira. A amizade surge fácil e logo eles lhe falam sobre a vida, a morte, o amor e o perdão. Lisa bebe as palavras que caiam como bálsamos em suas feridas. Não percebe que aos poucos a oração volta a seus lábios e o coração, antes fechado em sua dor, se acalenta com a certeza que Luiza estava bem.
Após dias de convivência, o casal se despede da jovem solitária, não sem antes deixar o endereço para que ela os visite e passe uns dias na Índia. Lisa então continua sua viagem pela Europa. Vagarosamente começa a perceber a beleza da natureza e a historicidade dos povos por onde passa. O belo se faz presente e logo ela começa a mandar cartões postais às pessoas amadas. Aos poucos, talvez por ainda sentir dentro de si o carinho sempre sincero de Mari e sua natural curiosidade sobre tudo e todos, começa a descrever nas cartas direcionadas a ela, suas impressões e opiniões diversas. Manda também pequenas mensagens a Joyce numa clara demonstração que o passado ficara para trás.
Quando enfim decide conhecer a Índia, busca novamente o calor do casal amigo que, com grande alegria, a recebe em seu lar. São meses de aprendizado e cura de sua alma.
Inicialmente constrangida por abusar da hospitabilidade dos novos amigos, logo Lisa se adapta a nova cultura e ambiente familiar. Os jovens eram festivos e alegres e logo a incluem em todas as festividades locais. Suavemente o sorriso volta aos lábios de Lisa e uma paz toma conta de todo seu ser.

Estava pronta para voltar para casa.



Lisa volta novamente o olhar ao túmulo onde estava enterrada sua amada.

- Lu... amor. Desculpe a demora em vir vê-la. – Novamente alisa a fria pedra de mármore. – Você, mais do que ninguém sabe que não lido bem com a dor. – Suspira tristemente – Sabe... desde que você partiu eu me vi sem chão, numa completa escuridão. A vida para mim perdeu todo o sentido, nada mais me interessava. Tudo que queria era seus braços em volta de mim... seus beijos, seus carinhos. Então parti. Parti para longe de tudo. Longe de você, amigos, família... tudo! - Suspira mais uma vez - O que eu não percebi amor, é que aonde eu ia, levava você comigo. Mas não levava o seu melhor. Levava somente a dor de sua perda, a tristeza de não tê-la mais a meu lado. Como fui burra!!! – Ri baixinho – Posso ouvi-la dizer isso Lu! Mas entenda amor! Doeu demais te perder. – Balança a cabeça desalentada - E foi com toda essa dor no peito que conheci pessoas amigas que me ajudaram a lembrar de nós. Nós Luiza! Nossa união, nossas alegrias, nossas conquistas... nosso amor. E então eu vi você amada. Em todos os cantos que olhava dentro de mim você sorria e dizia que me amava. Ah Lu... me desculpe... desculpe esquecer nosso amor. – Desliza suavemente a mão pela lápide até colocá-la sobre o colo.

- Eu te amo! Para todo o sempre vou te amar. Obrigada amada... obrigada por me ensinar que o amor existe... obrigada por ter trazido ele de volta a minha vida. Prometo nunca mais esquecer disso. Obrigada por cada dia de alegria que tivemos, por cada sorriso, por cada palavra. Obrigada por nós. Por não ter desistido de mim... por ter feito e fazer parte de minha vida.

Devagar Lisa se ergue do chão. Uma suave brisa se faz presente. É como se Luiza suavemente lhe tocasse o rosto. Um sorriso delineia os lábios perfeitos de Lisa.

Nunca o AMOR se fizera tão presente em sua vida.

- A sim, Lu... amor... eu lhe trouxe um presente.

Suavemente põe os dedos nos lábios e toca com carinho o nome da amada.

Vira-se e caminha em direção a saída.


... Uma linda Flor de Lótus jazia perfumada sobre a lápide.


FIM DA SEGUNDA PARTE


Because You Loved Me (com tradução)

For all those times you stood by me
For all the truth that you made me see
For all the joy you brought to my life
For all the wrong that you made right
For every dream you made come true
For all the love I found in you
I'll be forever thankful baby
You're the one who held me up
Never let me fall
You're the one who saw me through it all

You were my strength when I was weak
You were my voice when I couldn't speak
You were my eyes when I couldn't see
You saw the best there was in me
Lifted me up when I couldn't reach
You gave me faith 'coz you believed
I'm everything I am
Because you loved me

You gave me wings and made me fly
You touched my hand I could touch the sky
I lost my faith, you gave it back to me
You said no star was out of reach
You stood by me and I stood tall
I had your love I had it all
I'm grateful for each day you gave me
Maybe I don't know that much
But I know this much is true
I was blessed because I was loved by you

You were my strength when I was weak
You were my voice when I couldn't speak
You were my eyes when I couldn't see
You saw the best there was in me
Lifted me up when I couldn't reach
You gave me faith cause you believed
I'm everything I am
Because you loved me

You were always there for me
The tender wind that carried me
A light in the dark shining your love into my life
You've been my inspiration
Through the lies you were the truth
My world is a better place because of you

You were my strength when I was weak
You were my voice when I couldn't speak
You were my eyes when I couldn't see
You saw the best there was in me
Lifted me up when I couldn't reach
You gave me faith 'coz you believed
I'm everything I am
Because you loved me

Tradução
Por que você me amou.

Por todas as vezes que você me apoiou
Por todas as verdades que você me fez ver
Por toda alegria que você trouxe para minha vida
Por todos os erros que você fez certo
Por todos os sonhos que você fez tornarem-se reais
Por todo amor que encontrei em você
Eu serei eternamente grata, baby
Você foi a única que me ajudou a me levantar
Nunca me deixou cair
Você foi a única que me viu através de tudo isto

Você foi a minha força quando estava fraca
Você foi minha voz quando não podia falar
Você foi meus olhos quando não podia ver
Você viu o melhor que estava em mim
Me levantou quando não podia alcançar
Você me deu fé porque você acreditou
Eu sou tudo que sou porque você me amou

Você me deu asas e me fez voar
Você tocou minha mão, eu toquei o céu
Eu perdi minha fé, você me trouxe ela de volta
Você disse que nenhuma estrela estava fora de alcance
Você ficou do meu lado, e eu suportei
Eu tenho seu amor, eu tenho tudo
Eu sou grata por esses dias que você me deu
Talvez eu não saiba muito disso
Mas eu sei que este muito é verdade
Eu fui abençoada porque eu fui amada por você

Você foi a minha força quando estava fraca
Você foi minha voz quando não podia falar
Você foi meus olhos quando não podia ver
Você viu o melhor que estava em mim
Levantou-me quando não podia alcançar
Você me deu fé porque você acreditou
Eu sou tudo que sou porque você me amou

Você esteve sempre aqui por mim
O vento gentil que me carregava
Uma luz no escuro brilhando seu amor na minha vida
Você tem sido minha inspiração
Através das mentiras, você foi a verdade
Meu mundo é o melhor por sua causa

Você foi a minha força quando estava fraca
Você foi minha voz quando não podia falar
Você foi meus olhos quando não podia ver
Você viu o melhor que estava em mim
Me levantou quando não podia alcançar
Você me deu fé porque você acreditou
Eu sou tudo que sou porque você me amou

http://www.youtube.com/watch?v=xvqCr0L2r7c


Pois é... a imagem n combina mas procurem sentir a musica ;)

video

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Cap. XXI

- Mariana!! Lucas já chegou!
- To indo mãe.

Joyce observa a filha que desce as escadas da nova residência da família. Estava linda. Deixara os cabelos crescerem e estes agora lhe caiam pelas costas como uma linda cascata de fios negros. Os olhos verdes realçados pelo rímel eram tristes e misteriosos. Sua filha tinha uma beleza única.

- Olha mãe não devo demorar ok. Beija rapidamente o rosto amado e caminha em direção ao namorado que não conseguia desviar o olhar de sua bela figura.

- Fecha a boquinha querido. – Mariana diz irônica e brincando lhe segura o queixo.

- Você esta linda Mari.

- Você também Lucas. Vamos?



Joyce observa o jovem casal sair. Que saudade da adolescência. Um sorriso suave desponta nos lábios. Carlos aparece na porta da sala.

- Mariana saiu?

- Sim, foi com Lucas para uma festa de aniversário.

- Jô não acha cedo demais ela namorar?

- Cedo Carlos? Mariana já tem dezessete anos!

- Então! Muito cedo. Nesta idade a menina não sabe bem o que quer. Tudo são ilusões. Você mais que ninguém sabe disso.

Joyce se vira agressivamente para Carlos.

- O que está exatamente querendo dizer com isso Carlos?

- Não quero dizer nada! Só acho que você é muito condescendente com Mariana.

- Carlos do céu! Ela está somente namorando!

- Somente! Por acaso não é ela que é fruto de um ‘somente namorando’?

Joyce fecha o punho nervosa. Encara o marido quase com ódio.

- Se eu fosse você limitava a manter a boca fechada. Casou comigo ciente de tudo. Nunca lhe escondi nada. Não te dou o direito de me julgar agora.

- Contou mesmo Joyce? Tem certeza? – Carlos se aproxima da esposa intimidando-a com sua altura.

- O que exatamente está querendo dizer com isso Carlos? Meu Deus! Estou cansada! Cansada de suas insinuações, suas brigas, suas frustrações. – Passa as mãos no cabelo num gesto seu de nervosismo.

- Não estou insinuando nada! Vou sair. Não me espere pro jantar. – E sai batendo a porta.

Joyce bufando senta-se no sofá da sala. A cada dia Carlos estava mais insuportável. O casamento antes tão perfeito agora lhe era uma prisão. Não tinha um companheiro, tinha um ditador em casa. ‘ Paciência Jô. Você sabe que está exagerando’ Passa as mãos no cabelo tensa.

- Mãe!!! O Ri pegou minha bala!!!

- Mentira mãe! Era minha! Ele comeu a dele e agora ta querendo a minha!

- Meninos calem agora!! – Joyce lança um olhar assassino aos gêmeos silenciando-os imediatamente. – Me deixem em paz e resolvam vocês esse problema enooorme!! E ai de vocês se ouvir uma palavra dita em tom mais alto! Fora daqui!

Os gêmeos saem em ritmo “de flash” da sala. Não são doidos de mexer com a mãe naquele estado de espírito.

‘Preciso sair’. Jô se ergue do sofá e liga para a mãe que se casara e morava no bairro vizinho ao seu.

- Mãe? Tudo bem? Olha, eu queria sair um pouco, esfriar a cabeça. Será que poderia deixar os gêmeos com você hoje? Não se importa mesmo? Não quero atrapalhar. Ok, então. Obrigada mesmo mãe.

Desliga o telefone e deixa o olhar se perder no infinito. Balança então a cabeça numa negativa e novamente pega o telefone.

- Fabi? Tudo bem? Olha estava pensando em sair esta noite. Por acaso tem tempo livre? Serio? GLS? Mas... que bar é esse? Bom... eu... tudo bem eu topo. Que horas? Ok me passa o endereço que encontro você lá. Como? Passa aqui para me pegar? Tudo bem espero você então. Beijos.

Desliga o telefone empolgada. Há muito tempo não tinha um momento só seu.

- Rick! Luiz! Troquem agora de roupa. Vocês vão dormir na casa da avó!



O barzinho estava cheio. As duas mulheres sentam-se em uma mesa central. Curiosa Joyce observa o ambiente rústico e sorri para a amiga.

- Fabi, não sabia que você gostava de freqüentar estes ambientes.

- Que isso Jô! São os melhores! Aqui você encontra de tudo. Gays, lésbicas, simpatizantes, heteros. Eu adoro!

- Mas você curte mulheres?

- Uai, se pintar uma que vale a pena estamos aqui! - E ri alto. Fabiana era uma executiva de 42 anos de idade, separada e independente.

- Hum... acho que vou adotar sua forma de pensamento! E olha para os lados curiosa. Fixa o olhar na mesa ao lado onde dois belos rapazes trocavam um beijo apaixonado.

- Jô, ei Jô. – Fabi estala os dedos perto do rosto da amiga – Seja mais discreta, por favor.

- Eu... er... desculpa. É que é tão... diferente.

Uma musica suave domina o ambiente. Joyce olha o palco e vê uma bela morena cantar musicas ao vivo. Fabiana acompanha seu olhar.

- O nome dela é Andrea. Excelente cantora.

- Também é lês?

- É sim. Mas indiferente disso é uma excelente cantora. Canta em vários locais na cidade. – Fabi aponta a uma bela mulher sentada ao lado do palco olhando enlevada a cantora. – Aquela é a namorada dela.

- Hum... linda.

- Com certeza.

As duas são interrompidas por um rapaz que surge espalhafatoso frente à mesa das duas.

- Fabinha? Meu amor que saudades!

- João? Lindãooo! Esta se ergue e dá um abraço apertado no outro.

- Menina quanto tempo! Você anda sumida. – Se vira para Joyce com um sorriso admirado – Não vai me apresentar esse belo exemplar feminino de formosura?

Joyce sorri divertida. O rapaz era um dos homens mais jeitosos que já vira na vida.

Depois das apresentações João faz questão que ambas sentem à sua mesa. A mesma estava repleta de casais de todos os tipos. Logo Fabi se distrai com uma jovem mulher que não tirava os olhos dela. Um tempo depois sussurra aos ouvidos de Joyce.

- As novinhas são as melhores.

Joyce distraída faz um sinal afirmativo com a cabeça. Observava silenciosa uma bela morena de óculos que distraída bebericava uma caipivodca de limão. Algo nela lhe chamava a atenção. Talvez o ar intelectual que não combinava em nada com a festividade do ambiente.

Como a se sentir observada a morena ergue os olhos e encara Joyce fixadamente. Então com um sorriso de lado levanta um brinde a mesma. Timidamente Jô retribui o gesto.

A morena então se ergue e caminha em sua direção. O coração de Jô dispara alucinadamente. ‘ Meu Deus o que estou fazendo’?

- Oi tudo bem? Posso me sentar a sua mesa?

- Eu... não sei... depende do pessoal... eu...

- Acho que o pessoal esta bem ocupado. – A morena aponta displicente a mesa. Jô lhe acompanha o gesto e percebe que quase todos estavam dançando. Quem permanecia sentado trocava carinhos apaixonados entre si. Olha para a pista de dança e arregala ligeiramente os olhos. Fabi já se encontrava aos agarros com a mulher mais nova.

- Verdade... – Volta o olhar a morena e estende a mão – meu nome é Joyce.

- Prazer Joyce... A morena segura sua mão sem soltá-la – Meu nome é Juliana.



Lisa debruçada sobre os relatórios dos pacientes não escuta a porta do consultório se abrir.

- Ocupada amada?

- Lu! Para você nunca. Contorna a mesa e dá um suave beijo na esposa. – Aconteceu alguma coisa?

- Amor – Luiza a segura pela cintura. – Fui convidada como palestrante para um encontro dentro de minha área em Curitiba.

- Serio? Mas isso é maravilhoso!

- Pois é. Também adorei. Começa dia vinte agora. Acha que consegue uns dias para me acompanhar?

- Amor... – Lisa lhe toca o rosto carinhosa. - Você sabe que não posso. Não posso deixar a clinica nesse momento.

- Puxa Lisa... Tente ao menos o fim de semana! Só participarei terça feira do evento. Podemos passar o fim de semana por lá. Que acha?

- O fim de semana? Bom, ai já é discutível. – Bate palmas feliz. - Curitiba, aqui vamos nós! E sorrindo se joga nos braços da amada



O avião desce suavemente na pista. Todos reparam as duas mulheres que caminham lado a lado no saguão. Eram lindas e elegantes. Seus gestos carinhosos denunciam o amor presente entre ambas. Só não via quem não queria ver.

Entram felizes no taxi e suspiram felizes.

- Meu Deus, que saudade daqui! Luiza olha Lisa de lado.

- Hum... acho povo muito fechado. – Lisa se acomoda melhor no banco.

- Amor são duas culturas diferentes. Mas seu tipo físico combina com a região. – Sorri deliciada e faz um gesto de carinho na amada.

- Sei... Mas o que vamos fazer hoje.

Com um sorriso indecente Luiza olha meio de lado para o motorista de taxi que mantinha os ouvidos bem atentos as duas mulheres.

- Bem... pensei em entrar numa deliciosa hidromassagem e fazer um amor delicioso com minha esposa.

Com um sorriso ainda mais atentado aproxima a boca da orelha de Lisa e sussurra tudo que lhe fará dentro da banheiro. O rosto de Lisa se transforma de paixão. O motorista de taxi engole sem seco ‘ Nossa senhora! Dois mulherões desses juntas? É muito para o coração!’

Os dias foram maravilhosos. Lisa e Luiza passeiam por toda a bela Curitiba. As noites regadas de amor e paixão deixavam claro o amor entre as duas belas mulheres.

Já era domingo e terça seria o dia que Luiza palestraria no evento de medicina.

Lisa percebe sua tensão ao vê-la estudar atentamente o assunto.

- Amor, abraça-a suavemente - Não tem porque estar tão preocupada. Você vai tirar de letra sobre este assunto.

- Eu sei Lisa, mas sempre é bom dar uma revisão no assunto né. – Sorrindo deixa as anotações de lado e abraça a esposa. – Seria tão bom que pudesse ver a palestra. Não queria que fosse embora hoje.

- Eu também amor. Você sabe que tentei. Infelizmente não posso deixar de dar assistência ao Roberto na clinica. Já estaremos sem você e o Jairo estes dias.

- Eu sei. Luiza suspira tensa – Amada...

- Que foi?

- Sabe quando você sabe que algo muito importante vai acontecer em sua vida? Você sente isso?

- Como assim Lu? Não to entendendo.

Luiza a olha seria.

- Eu não sei explicar. Mas desde que recebi esta carta sobre o evento senti que algo muito importante vai acontecer em minha vida. Em nossas vidas. Não sei bem o que é, mas... eu sinto.

- Mas o que pode ser Lu?

- Ah, sei lá – Faz um gesto vago com a mão. – Na verdade nem sei se acredito nestas coisas.

- Eu acredito – Lisa se acomoda melhor nos braços de Luiza.

- Bom, seja o que for que seja maravilhoso. A cada dia me sinto mais feliz a seu lado. Você é tudo que sempre quis na vida Lisa.

- Hum... Lisa sorri contente – Sou é?

- Sim... Você é. Luiza ergue ligeiramente o corpo de forma olhar o rosto de Lisa. – não me canso de agradecer a Deus você em minha vida. Nunca me senti merecedora de tamanha felicidade. Sei que as pessoas em maioria não gostam de mim, me acham arrogante... mas... Lisa meu amor por você é sincero. É o melhor que existe dentro de mim. Seu amor me torna uma pessoa melhor, mais pura, mais cheia de fé. Nunca poderei lhe agradecer o suficiente por isso.

- Lu... Você é uma pessoa maravilhosa. Sempre se preocupando com as pessoas, curando-as, ajudando-as. Não entendo porque não se permite expor mais às outras pessoas.

- Porque nesta vida só você me importa Lisa. Só você. Meu coração não é como o seu, tão sincero e aberto ao mundo. Sou egoísta em meus sentimentos. Você não. Você é capaz de um amor gigantesco, não só por mim, mas por outras pessoas também. Antes eu via isso com pena. Por que pessoas assim sofrem. Mas hoje a compreendo melhor. E aceito. O que me importa é saber que uma parte de sua vida pertence só a mim. Que seu amor por mim é único e verdadeiro como você. Eu te admiro Lisa. E tenho muito orgulho de você.

- Oh amor... Não a vejo como se vê. Não mesmo. Lu, você é dedicada e persistente. Você é alguém tão especial amor! Quem sabe ver a alma sabe disso.

- E você sabe ver a alma Lisa?

- Sei amor. E a sua é maravilhosa. Graças a Deus faz parte de minha vida. Você me faz muito feliz.

As duas se abraçam com carinho. Lisa ergue o rosto e se deixa beijar pela bela mulher que a abraçava. Era um amor único como elas. Sincero como elas. Infinito em seus corações e alma.



A despedida no aeroporto é carinhosa. Lisa antes de embarcar volta o olhar para Luiza sorridente. Luiza acena feliz e põe a mão sobre o coração. Não era necessário palavras entre elas naquele momento. Elas simplesmente sabiam.



Lisa chega cansada a São Paulo. A viagem fora turbulenta. Pega o telefone e liga para Luiza.

- Amor já cheguei.

- Ei amada! Que bom! Já estou morrendo de saudades! É horrível ficar neste hotel sem você a meu lado. A cama está vazia!

- Hum... Pois saiba que estarei esquentando a nossa para quando chegar! Também morro de saudades de você amor!

- A viagem foi tranqüila?

- Nada! Foi exaustiva. Pegamos muita turbulência.

- Então vai deitar amor. Amanha terá um dia cheio na clinica.

- Tudo bem amor. Olha, vê se não vai aprontar por ai viu? Sabe que tem uma esposa muito ciumenta!

Luiza ri alto.

- Tranqüiliza amada. Não vou sair do quarto. E tão logo termine a palestra já pego um avião para casa. Deixe tudo preparado para mim. – Novamente ri alto.

- Nem vou perguntar por que riu Lu. Já conheço sua mente maldosa. Dorme com Deus amor e sonhe comigo. Te amo muito viu.

- Sempre sonho amada. Durma com Deus também. Te amo muito. Demais. Boa noite.

Luiza desliga o telefone feliz. Era tão bom ser amada!



A palestra fora perfeita. Tosos estavam maravilhados com os conhecimentos da jovem doutora. Luiza agradecia e cumprimentava as pessoas que vinham lhe elogiar o desempenho.

Já era tarde quando finalmente consegue se desvencilhar do grupo que a rodeava. Estava doida para ir para o aeroporto e voar ao encontro de sua amada.

Já no hotel faz rapidamente as malas e chama o taxi. Observa distraída as paisagens pelo qual passava e deixa seus pensamentos se direcionarem para Lisa. ‘Linda... tão linda o meu amor’ Suspira apaixonada e fecha os olhos enlevada. Perdida em seus pensamentos não vê o enorme caminhão avançar o sinal e em velocidade e vir em direção ao carro em que se encontrava.

O barulho da batida se faz ouvir por longa distancia. Pessoas desesperadas correm em direção ao taxi destruído e arrastado pelo enorme veiculo. O motorista do caminhão abre desesperado a porta e foge em disparada, apavorado com o acidente que seu ato de irresponsabilidade causara.

Todos observam a mulher morena caída sobre o banco. Seu rosto tranqüilo e suave contrastava com o desespero e angustia dos trausentes que tentavam salvar sua vida e do motorista que também se encontrava preso nas ferragens em gemidos angustiados. Parecia dormir, um sorriso leve se desenhava em seus lábios.



- Luiza... Luiza! Filha abra os olhos!

- Maia? Maia é você?

- Sim filha, abra os olhos. Está tudo bem

Luiza abre os olhos e se extasia com a luz maravilhosa a sua frente. Sente o coração leve e observa o seu redor deslumbrada. Nunca sentira o corpo tão leve e uma paz tão grande em seu ser. Lagrimas vem aos seus olhos. Vira-se para Maia e chorando pergunta.

- Maia... Isso é um sonho?

- Sim minha criança. Isso é um sonho por toda a sua vida. – Abre os braços amorosos para Luiza que corre e se abriga neles.

- Lisa... Eu preciso de Lisa! Preciso ver Lisa, Maia!

- Criança, Lisa está bem. Anjos cuidam para que ela esteja amparada. Confia.

- Maia... Eu a amo... Mais que tudo em minha vida.

- E ela a você filha. Almas unidas pelo amor universal jamais se separam. O amor faz parte de Lisa. Faz parte da vida!

Luiza fecha os olhos e permite que mais lágrimas escorram por eles. Está nos braços daquela que sempre lhe amparara em todas as suas angustias. Era novamente aquela adolescente perdida e vulnerável do passado.

- Maia... isso é um sonho? Volta a perguntar já sentindo os olhos pesarem em um sono inexplicável.

- Sim Luiza... é um sonho. Beija a testa morena com amor e sorri ao ver sua criança dormir suavemente. – Bem vinda de volta ao lar minha filha. – Sussurra baixinho.



Ainda presa sob as ferragens a mulher solta um leve suspiro e suavemente seu peito para de mexer. Os bombeiros desanimados sentem a vida se esvair do corpo jovem. Não havia mais o que fazer. Eles a haviam perdido.


Luiza estava em paz.



A alma humana é como a água: ela vem do Céu e volta para o Céu, e depois retorna à Terra, num eterno ir e vir. (Goethe)

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

CAP. XX

-Mentira! Fala sério! Não acredito!
- Eu to dizendo amor... O cara esteve lá como se fosse a ultima bolacha do pacote. O salvador das mulheres que não conheceram ainda o poder de um bom pinto!

Dramaticamente ao contar Luiza põe a mão sobre o peito em fingida emoção.

- Gente que cara de pau meu!

Lisa não consegue segurar a risada. As duas se encontravam na cama após momentos maravilhosos de êxtase e paixão.

- Que raiva! Se eu pudesse matava este sujeitinho! – A indignação aparece na expressão de rosto de Lisa. - Que homem sem noção. Sem vergonha! Coitada da Jô... – O rosto se anuvia. Um aperto no coração se faz presente. Balança a cabeça como a tentar fugir dos pensamentos.

- Pois eu tenho pena amor – Lu ante o rosto agora indagativo de Lisa continua sua idéia – Pense bem. O cara é casado com uma bela mulher... que não passa de uma lésbica mal resolvida. Deve ser muito frustrante.

- Que isso Lu! Joyce não é lesbica.

Joyce a encara irônica.

- Não!?

- Bom... tá... eu... acho que ela é bi... é isso. Joyce é bissexual.

- Lisa, acredita mesmo nisso?

- Eu... não sei Lu. – A loira solta um suspiro desanimado – Ela é casada há tanto tempo e... Bem, ela tem uma vida com o marido, seja boa ou ruim, tem.

- Certo, mas só pela atitude dele percebesse que algo não vai nada bem. Acredito que ela também deva ter atitudes que demonstrem alguma insatisfação. Diz encarando Lisa fixadamente. A mesma engole em seco.

- Lu... amor... na verdade... – Lisa a encara nos olhos. – Na verdade Joyce deu em cima de mim.

Luiza sente um pequeno aperto no coração. Não queria saber nada que acontecera em BH.

- Tudo bem Lisa... eu prefiro não saber e...

- Mas quero contar Lu! Não quero guardar isso pra mim. Por favor. – Lisa imediatamente se ajoelha sobre o colchão se inclinando ligeiramente sobre Luiza.

Esta respira fundo. Porque as coisas não podem ser simplificadas? Por que o ser humano tem sempre esta necessidade de expor os fatos quando tudo parece caminhar perfeito? Porque não simplesmente esquecer?

- Conte amor.

- Lu... quando você foi embora e me disse que resolvesse as pendências do passado, me senti desamparada. Totalmente desamparada. Hoje sei que o ultimato me fez bem... foi o melhor a fazer.

- Não foi ultimato Lisa!

- Claro que foi! E não me interrompa!

Luiza a olha com os olhos ligeiramente arregalados e brincando faz um sinal de fecho na boca.

- Bom... a partir dali Joyce resolveu que ia reviver o passado. Quando quis sair com Mari ela impôs antes uma saída com ela. E eu aceitei. – Olha Luiza cautelosa percebendo ao perceber o rosto dela se fechar. – Lu... eu... eu... fiquei com ela.

Luiza engole em seco. Taí; era exatamente isso que não queria ouvir.

- Para que está me dizendo isso Lisa? – Luiza se levanta da cama e sem se preocupar com a nudez começa a caminhar pelo quarto. – Que prazer é este de me expor os detalhes? É necessário realmente me expor fatos que só me magoam?

- Lu! Não é isso! Entenda... é como uma redenção. – Lisa levanta e se abraça a bela morena. – Amor... só assim pude perceber que o passado estava morto. – A abraça ainda mais forte como que querendo lhe tirar toda a tensão do corpo. – Lu... quando ela... tentou ficar comigo; e isso foi mais de uma vez, percebi que não era ela entende! Era você! Você que devia estar ali. Você! Foi como se tudo clareasse em minha mente.

Luiza suspira profundamente, passa as mãos no basto cabelo castanho e, com Lisa nos braços, volta para a cama de ambas.

O silencio se faz presente entre elas. Finalmente é interrompido pelo sussurro de Lisa.

- Lu... Você é meu amor. Joyce ficou no passado. O momento meu e dela passou. Agora somos eu e você. Tenho tanta certeza disso... tanta! – Num gesto repentino Lisa se levanta da cama - Me espera.

- Lisa? Luiza acompanha sua amada se retirar do quarto. Abaixa ligeiramente a cabeça e dá um suspiro triste. Não queria mais doía. Mesmo sabendo ter vencido a disputa pelo amor de Lisa doía saber que ela estivera nos braços de Joyce.

Observa Lisa voltar lentamente para o quarto.

- Li... Lisa.... Você... você... fez... amor com ela?

Lisa arregala os olhos.

- Lu!! Não!!! Não amor, eu não fiz. Eu sou sua. É com você que faço amor.

Devagar se aproxima da cama onde Luiza se sentara e se ajoelha aos pés desta.

- Eu queria fazer isto em outro momento com flores e um lindo jantar, mas... Prefiro fazer neste.

Olha amorosamente Luiza que a encarava surpresa e ergue as mãos que seguravam uma linda caixa de jóia. Abri-a expondo duas belas alianças de ouro.

- Luiza, quer ser minha esposa? Prometo lhe ser fiel, na saúde e na doença, até que a morte nos separe. – Seu olhar era de expectativa. – Quer?

Luiza, que odiava expor suas fraquezas, não consegue se conter e deixa as lagrimas virem aos olhos.

- Amor... Chorando baixinho, ajoelha-se também no chão e abraça a amada. – Você é tudo para mim. Te amo tanto! Dou a vida por você! Quero... quero.

Lisa pega a aliança e a coloca no dedo de Luiza. - Ficou perfeito! – Sorri extasiada e fungando permite que as lagrimas lhe caiam dos olhos.

Luiza sorrindo, segura a outra aliança e a põe no dedo de Lisa.

- Prometo por toda minha vida amá-la e desejá-la, ser-lhe fiel, para todo o sempre.

As duas se abraçam entre lagrimas e sorrisos. O passado não mais interferiria no amor das duas. Assim estava escrito. Era o destino.



Mariana caminhava devagar por entre as árvores da pracinha do bairro. Suspirando senta-se no banco. Lisa partira ao encontro do amor. E ela? O que restava a ela? Lembra as palavras de Lisa sobre viver cada momento de sua vida, viver experiências. Abaixa a cabeça suspirando baixinho. ‘Lisa... Porque tenho que esperar? Porque você não enxerga que vim pra você? Eu sei... não me importa você ser mulher. Você é a pessoa que sou destinada. ’

Observa uma jovem que patinava entre as arvores. ‘Linda’ pensa sem, no entanto sentir nada mais. Diferente de quando olhava Lisa e queria abraçá-la, beijá-la, senti-la.

Suspira baixinho. Lisa tinha razão. Esta era a verdade. Cada pessoa tinha o livre arbítrio de fazer seu destino. E Lisa escolhera Luiza, a morena alta, arrogante e simpática. Quem era ela para interferir naquele amor?

Observa a jovem que patinava cada vez mais perto de onde estava sentada. Esta sorria a cada volta pela praça numa clara tentativa de aproximação.

‘ Você tem razão Lisa. É preciso viver. A vida continua. Está na hora de eu começar a minha. ’ E sorri para a jovem que devagar para a sua frente e começa a puxar um papo agradável. Mariana começava o seu caminho de amores e descobertas.


Joyce assistia à televisão trocando os canais aleatoriamente. Nada lhe parecia interessante. A casa estava vazia. Os gêmeos estavam com os avôs paternos e Mariana caminhava pelo bairro. Os olhos se enchem de lagrimas quando, mais uma vez, relembra os momentos com Lisa. ‘Lisa’ sussurra baixinho. Balança a cabeça tentando segurar as lágrimas. Será que realmente escolhera o caminho certo? Era feliz?

Ouve a porta da frente se abrir e Carlos adentrar pela mesma segurando a mala. Os olhares de ambos se encontram. Olhares cheios de culpa e mágoa. Carlos suspira e caminha em direção a esposa.

- Jô... Nós precisamos conversar.

Joyce abaixa a cabeça. Não queria discutir, não queria explicar. Nada lhe importava.

- Jô... Eu não to feliz... Nós não estamos felizes.

A morena ergue o olhar surpreendida.

- Sei que não estou sendo um marido presente, nem um pai legal pros meninos. Mas quero tentar. – Carlos se vira para a esposa. – temos uma história Jô. Uma história que vale a pena acreditarmos. Você... acredita nisso?

Joyce observa o marido atentamente. Percebe em sua têmpora pequenos fios de cabelo branco que antes não havia ali. Uma ternura acende em seu coração. Não o amava. Amou a idéia de amá-lo. Mas Carlos era um bom homem. Com defeitos e qualidades, mas um bom homem. Devagar estende os braços e Carlos se aconchega neles. E ali permanecem juntos, unidos por uma vida em comum, por um carinho perdido, mas não irrecuperável. Somente o futuro dirá se o caminho escolhido é o certo. No momento o importante é tentar. Acreditar. ‘Você não tem nada a perder Jô. Você tem uma família linda e maravilhosa. Está mais que na hora de viver para eles’.


Um ano depois

-Amor!! Cheguei!

Lisa caminha pela sala jogando a pasta sobre o sofá

- Luiza?

Caminha pelo apartamento surpresa de não ver a esposa em lugar alguém. Suspira tensa e se joga no sofá. ‘ Que dia!’

O dia fora corrido e ainda pela tardinha tivera que atender um paciente a domicílio. Odiava essas eventualidades, mas o colega que o fazia estava de licença médica.

‘ Mas... Onde diabos está Luiza?’ Busca o celular na bolsa e liga para a amada. Nervosa vê o telefone cair na caixa postal. ‘Vou matar aquela amazona. Custava ao menos deixar um recado de onde ia?’

Levanta-se e tirando a roupa pelo caminho entra debaixo do chuveiro. Deixa água escorrer pelo seu corpo permitindo-se relaxar debaixo d’água. Por longos minutos permanece ali se deliciando com o frescor da água. Coloca um roupão e caminha em direção a cozinha. Ao fechar a geladeira se surpreende com o bilhete colado na mesma.

Pega-o curiosa e ri logo a primeira frase escrita.

Minha querida esposa. Depois de esbravejar bastante contra minha pessoa, tomar seu banho e se acalmar eis que encontra o tão esperado bilhete (pois é tsts. A cozinha é seu ultimo refugio na casa que sei)

É duro ser casada com alguém que lhe conhece tão bem.

Agora meu amor, coloque um belo vestido e me encontre neste endereço. Por favor, não demore. Estou ansiosa para vê-la.


Te amo minha amada

Lisa olha o endereço e sorri feliz. Luiza era sempre uma surpresa. Caminha em direção ao quarto e escolhe um belo vestido branco que ajustava divinamente bem nas curvas de seu corpo. Tira da cômoda uma bela combinação e a olha pensativa. Sorrindo safada volta-a para a gaveta. ‘ Você não é a única que gosta de surpresas aqui Lu’. Já vestida maquia-se suavemente e chama um taxi. Pelo caminho sorri extasiada. A noite prometia ser maravilhosa.


O hotel era um dos mais chiques de SP. Dá o nome na recepção que imediatamente lhe entrega a chave da suíte principal. Ignorando o olhar curioso do rapaz atrás do balcão Lisa balança a cabeça sorrindo ‘ Luiza é louca! Suíte principal?’. À sua entrada no elevador imediatamente o recepcionista liga a suíte avisando Luiza de sua chegada.

Lisa abre a porta vagarosamente e se surpreende com a bela mesa ao centro da sala. Duas lindas velas acesas davam ao ambiente um ar deliciosamente romântico. Respira enlevada e percebe um sutil perfume de rosas. Caminha em direção ao quarto e sente o coração aquecer diante da maravilhosa cama repleta de pétalas de rosas vermelhas.

- Eu te amo Lisa.

Emocionada Lisa se vira para a porta do quarto e vê Luiza, maravilhosa em um lindo vestido negro, lhe estender uma taça de vinho. Devagar se aproxima da amada e pega a taça.

- Amor... eu...

Luiza coloca suavemente um dedo em sua boca lhe silenciando.

- Hoje faz exatamente um ano que minha vida mudou. Encontrei o amor de minha vida.

Lisa surpresa franze a testa.

-Hoje? Mas ainda não é nosso dia amor!

Luiza sorri amorosamente. Lisa nunca cansava deste sorriso. Ele lhe pertencia. Luiza, em todo este ano de convivência, nada mudara na forma de tratar as pessoas. Cada dia mais arrogante e dona da verdade reservava apenas a ela seu lado doce e suave.

- Lisa... exatamente no dia de hoje nos conhecemos. A vi pela primeira vez e soube que você era meu destino. – Estende a mão e toca o rosto amado – No dia de hoje o amor se fez presente em minha vida e em todos os dias vindouros. A felicidade passou a fazer parte de minha existência. Amor... nunca imaginei merecer tanto!

Lisa não consegue conter o soluço que lhe vem da garganta. Abraça Luiza emocionada.

- Você também me faz a mulher mais feliz do mundo Lu. Obrigada. Obrigada por não ter desistido de mim.

O beijo começa suave e delicado. Mas logo a paixão, constante em suas vidas, se faz presente e o beijo se torna profundo e impaciente. Luiza, tentando conter o fogo que se instala dentro de si, afasta Lisa com dificuldade de seus braços.

- Não é assim que planejei a noite.

Estende a mão para Lisa e a encaminha para a mesa onde um delicioso jantar as aguardava. A conversa flui animada e conflitante entre elas. Quase nunca suas opiniões batiam e sempre uma queria mostrar a outra que estava certa. Ao final riam divertidas com o debate e brindavam a forte personalidade de ambas. Tudo era uma suave e deliciosa rotina em suas vidas.

Após o jantar Luiza se ergue e caminha em direção ao som e colocando um CD para tocar. Estende a mão à loira convidando-a a dançar.



A música “In my life” dos Beatles ecoa no silencio da sala. As lágrimas começam a correr dos olhos de Lisa. Era a sua musica preferida.



In my life



There are places I remember

All my life though some have changed

Some forever not for better

Some have gone and some remain



All these places had their moments

With lovers and friends I still can recall

Some are dead and some are living

In my life I've loved them all



But of all these friends and lovers

There is no one compared with you

And these memories lose their meaning

When I think of love as something new



Though I know I'll never lose affection

For people and things that went before

I know I'll often stop and think about them

In my life I'll love you more



Though I know I'll never lose affection

For people and things that went before

I know I'll often stop and think about them

In my life I'll love you more



In my life I'll love you more...



Tradução



Há lugares de que me lembro

Toda minha vida, apesar de alguns terem mudado

Alguns para sempre, não para melhor

Alguns se foram, e alguns permanecem



Todos esses lugares tem seus momentos

Com amores e amigos que eu ainda me lembro

Alguns estão mortos e alguns ainda vivem

Em minha vida, eu amei todos eles



Mas de todos esses amigos e amores

Não tem nenhum que se compare a você

E essas memórias perdem o sentido

Quando eu penso no amor como algo novo



Apesar de saber que nunca vou perder o amor

Pelas pessoas e coisas que vieram antes

Eu sei que sempre vou parar e pensar neles

Em minha vida, te amo mais



Apesar de saber que nunca vou perder o amor

Pelas pessoas e coisas que vieram antes

Eu sei que sempre vou parar e pensar neles

Em minha vida, te amo mais



- Eu... Nunca ouvi essa versão. Soluça apoiando a começa no colo de Luiza que delicadamente a conduzia na dança.

- É uma versão na voz de Dave Matthews. Achei que ia gostar – Luiza sussurra baixinho no ouvido de Lisa.

- Eu amei. Amei! Ergue a cabeça e beija a morena procurando no gesto mostrar todo a amor e paixão que explode em seu peito.
– Amo você amor. Amo você.



Luiza geme suavemente quando percebe o beijo se transformando e a paixão dando lugar ao carinho. Aperta a cintura amada e desliza as mãos para os quadris. Surpresa arregala os belos olhos castanhos.

- Lisa você está sem...

- Pensa que só você sabe surpreender meu amor? Lisa dá um sorriso safado ainda com os olhos cheios de lagrimas.

- Sua safada! Vem aqui!

As duas caem sobre a cama repleta de pétalas vermelhas e começam o suave balé das amantes. Luiza desliza o vestido pelo corpo perfeito e admira extasiada o corpo de Lisa. Nunca se cansaria de sua beleza.

- Você é tão linda!

- Você é mais meu amor. Sabe... – Lisa toca a bela covinha do rosto moreno. – Ainda não consegui ver o duende que se esconde nesse cantinho.

- Ah amor... é porque ele só aparece para velar seu sono. – Luiza pisca o olho matreira.

- Ah... assim não vale - Começa esfregar o corpo no de Luiza tocando-a mais intimamente – Ainda vai continuar vestida?


Os beijos apaixonados os toques exigentes, tudo parecia pouco às duas belas mulheres. Os gemidos roucos, a paixão evidente tão somente era uma pura demonstração do amor presente.

Lisa grita em êxtase ao sentir o orgasmo enlouquecedor e se entrega confiante nos braços morenos. Acompanha feliz sua amada gemer enrouquecida, também em êxtase e sorri feliz. Adorava ouvi-la, tocá-la, satisfazê-la.

- Satisfeita meu amor?

Luiza ergue a cabeça com um ar malandro.

- Ainda não amada. Não lhe dei o presente.

- Presente – Lisa se empolga. Adorava ganhar presentes. Observa Luiza se erguer da cama e se aproximar da sacola ao lado da cortina. O sorriso congela no rosto ao vê-la tirar da mesma um enorme vibrador cor de rosa.

- Mas... o que é isso? Sente o sangue gelar nas veias.

- Gosta? Luiza empolgada não repara os olhos da amada se arregalarem ainda mais ao ouvir o barulho do vibrador que começa a tremer e girar suavemente.

- Vê amor... tem três velocidades. Dezoito centímetros de prazer. – Olha irônica a amada.

- Eu... eu... NEM PENSE QUE VAI COLOCAR ISSO EM MIM!

Luiza a olha surpreendida. Sorri tranquilamente procurando acalmar Lisa.

- Calma amor... tudo vai dar certo. Olha, não é o único presente que comprei.

Lisa sente o coração acelerado. Respirando fundo varias vezes pergunta cautelosa.

– E o que mais tem?

Luiza abre um sorriso enorme.

- Lubrificador!! Grita alegre tirando um enorme tubo a base d’água da sacola.

- Nem vem!!!

Lisa pula da cama já em pânico. Luiza gargalha e pegando rapidamente algo na sacola que Lisa não tem tempo de ver, sai ao encalce da loira.

- Fica longe Luiza!! To fora! Sai prá lá!! Ergue as mãos para frente tentando impedir que a morena alcançasse seu corpo. Qual não é sua surpresa ao ver ambas as mãos presas numa algema forrada de forma a não machucar seus punhos.

- Que isso? Tira isso de mim!!!!

- Nem por sonhos Lisa. Você agora vai me servir.

- Luiza!! NÃO!!!

Lisa tenta por todas as formas impedir Lu de levá-la de volta a cama. Mas não era páreo para a força da morena. Impotente, quase em desespero vê a morena prende-la na grade da cabeceira. Indefesa, observa Luiza admirar seus seios.

- Você me fascina.

- Lu... Por favor, faz tudo... Tudo que quiser... Mas não mete... aquela coisa em mim.

- Amor... Luiza a olha condescendente – Sinto lhe dizer, mas quem manda aqui... SOU EU!! – Toca-lhe o rosto levemente - Não precisa ter medo amor. Você vai adorar.

E agarra os seios claros chupando-os loucamente. Lisa se contorce de prazer e medo. Sente-se molhar cada vez mais com os beijos e toques de Luiza e uma expectativa de desejo e medo toma conta de seu ser.

- Amor... Amor... Não...

Geme roucamente ao sentir suas pernas abertas e dedos lhe penetrarem o sexo fortemente. Luiza começa um movimento de vai e vem que enlouquece Lisa. Seus gemidos são altos e prazerosos. Perdida num orgasmo delicioso não nota Luiza lubrificar o vibrador. Arregala os olhos em choque ao sentir algo grande e volumoso penetrá-la

- Não!! Não!! - Em desespero, tenta de todas as formas impedir que o dildo fosse colocado dentro de si. Indiferente aos gritos da amada Luiza a penetra cada vez mais fundo e liga o vibrador. Lisa grita ainda mais alto, não sabe descrever se era de prazer ou dor. Tudo se misturava dentro de si. O movimento de vai e vem junto à vibração despertam um vulcão de sensações fortes dentro de si e espasmos violentos tomam conta do corpo delicado.

- Não... pare... não quero... ahhhhhhh

- Você gosta sua sem vergonha! Sente... sente! - E penetra a loira ainda mais fundo sentindo seu próprio sexo contrair só de ver o prazer da amada.

- Deus... Deus... Lu... Luuu! Merda! Me solta!! DEUS!! Aiii!

- Goza safada! Goza! – Luiza quase não conseguia conter o próprio prazer só de ver a amada em convulsões de prazer. E quando Lisa geme num orgasmo forte e intenso, Luiza solta um grito extasiado. Nunca o prazer lhe fora tão satisfatório. Lisa lhe completava.

Luiza ainda tenta recuperar o fôlego quando sente pequenos empurrões no corpo.

- Merda Luiza... – Lisa com os quadris a empurrava quase em desespero. – desliga essa porra... eu não agüento mais.

Luiza quase desfalecida desliga o vibrador e o tira sem nenhum cuidado de dentro de Lisa.

- AII!! Merda!! Quer me arrancar a buceta fora? Sua... pervertida!!!

- Ai amor... desculpe... eu... to exausta. - Luiza se deixa cair novamente ao lado da amada. Estava impressionada com o orgasmo que tivera. Fora um prazer mais emocional que físico. E isso a deslumbrava. Fora tão bom!

- Vai é morrer se não me soltar dessa merda!! Porra! ME SOLTA JÁ LUIZA!

- Meu Deus Lisa. Nunca vou me acostumar a essa sua boca suja. – Levanta-se com dificuldade e liberta Lisa das algemas. Esta esfrega os pulsos e observa a morena se jogar sobre a cama de bruços. Um sorriso sem vergonha começa a surgir em seu rosto ao ver a morena totalmente relaxada e distraída. Pega a algema e num golpe rápido e certeiro se coloca sentada sobre a morena prendendo- lhe o pulso esquerdo.

- Que isso?

Sem responder e sem deixar que a morena tivesse tempo de reagir Lisa passa a algema pela grade da cabeceira e a prende no outro pulso. Luiza sente o coração contrair. Detestava se sentir indefesa.

- Lisa para com isso. Me solta.

- Mesmo? – Lisa ainda se recuperando do orgasmo enlouquecedor que tivera, pega o vibrador e o olha quase clinicamente.

- Nossa amor! Olha só! Tem até o formato das veias. Que nojo!

- Lisa! Me solta. Luiza ergue a cabeça o máximo que pode e olha indignada a esposa.

- Fica quieta ai. Puta merda. Você meteu tudo isso dentro de mim. Sua sádica!

- Lisa!! ME SOLTA!

Lisa a olha inocentemente. Sem responder se levanta e caminha em direção ao banheiro. Luiza escuta a torneira se abrir e fechar

Lisa volta tranquilamente ao quarto, linda em sua nudez, e vagarosamente pega o lubrificador esquecido sobre a cama.

- Lisa! Para já com esses pensamentos! Eu já gozei!

A loira analisa detalhadamente o vibrador para ver se o tinha lubrificado totalmente. Depois volta o olhar sorridente para Luiza.

- Quem é mesmo a dona aqui?

- LISA!

Ajoelhando-se sobre a cama Lisa força as ancas morenas de forma a colocar Luiza de joelhos. Observa cheia de desejo o sexo de Luiza. Ver a morena indefesa e de quatro era para ela uma experiência única. Não podia deixar de aproveitá-la.

- Como você disse mesmo Lu? Você vai adorar. – Diz com a voz ligeiramente tremula.

- Lisa... vamos conversar. Não é assim que as coisas funcionam, não é... ahhhhh.

Luiza grita surpresa. Lisa num único movimento penetrara-lhe fundo com o vibrador. Ao senti-lo todo dentro de si Luiza geme quase lamentosa. Lisa liga o vibrador e começa a movimentá-lo quase que violentamente.

- Sinta gostosa. Você também quer. E bate nas nádegas morenas como a querer reforçar suas ordens. Luiza começa a acompanhar com os quadris o movimento do dildo.

Luiza sente o orgasmo próximo, mas quando este parecia vir tudo para repentinamente.

- O que? O que? O QUE?? LISA!! NÃO PARA!

Lisa a olha irônica.

- Quem manda aqui?

- Lisa pelo amor de Deus, não faz isso! Luiza tenta soltar as mãos desesperada.

- Quem manda aqui?

- Você merda! Mete logo!

- Quem é sua dona?

- Droga! Você! Você! Meteee!!!

Lisa já totalmente tomada pelo desejo de satisfazer à amada a penetra novamente com o dildo ligado e começa um movimento intenso de vai e vem. Acomodando-se melhor atrás da morena penetra o dedo em Luiza e sente esta se contrair.

- Lisa? Onde diabos está metendo este dedo? Lisa? Meeeuuu... Deusss... Eu... vou... gozar... eu...

Luiza sem inibições solta um grito rouco e satisfeito. O prazer era louco. Se debate sobre a cama estremecendo a cada estocada que recebia de Lisa. Ao final se deixa cair sem forças sobre a cama.

- Você... é... louca. – Diz com a respiração entrecortada.

- Louca por você amor... louca por você... - Responde Lisa distribuindo vários beijinhos pelas costas morenas.

A noite fora perfeita.


O tempo é o melhor autor: sempre encontra um final perfeito.


(Charles Chaplin)

  

terça-feira, 27 de outubro de 2009

CAP. XIX

O sábado chegara iluminado. Mariana caminha em direção à cozinha, mas antes passa no quarto dos irmãos para ver se dormiam tranqüilos. ‘ Bah, ate parece que são tão santinhos’ pensa ao os ver dormindo angelicamente. Olha o relógio. Nove horas da manhã. ‘ Cedo pra ir à casa de Li’. Ainda comia tranqüila quando sua mãe adentra a cozinha.
- Bom dia mãe.
Joyce olha a filha desanimada.
- Bom dia Mariana.
Senta-se a mesa com a filha e põe a mão sobre o queixo. Mariana se surpreende com as olheiras da mãe.
- Mãe... tá tudo bem?
Jô a olha triste. Como dizer q filha que, no dia anterior, todas as suas esperanças, mesmo que inconscientes haviam sido assassinadas friamente pela serial killer Lisa?
- Na medida do possível sim Mariana. Estou com problemas no serviço só isso.
Mari a olha séria. Sua mãe estava apática, sem vibração. Essa não era ela. Poxa, preferia ela aos gritos, nervosa e dona da razão que aquela mulher sem energia a sua frente.
- Hã... Mãe... Vou ir à casa dos padrinhos. – Com estas palavras esperava despertar alguma coisa na mãe. Afinal ela detestava Lisa.
- Ok... – O olhar de Jô se torna ainda mais triste e se enche de lágrimas. – de um olá a todos por mim.
Levanta-se da mesa e caminha rapidamente para o quarto onde se tranca sem dar a Mariana a oportunidade de resposta. Esta não sabia se surpreendia com a postura da mãe ao contar que iria ver Lisa ou com sua falta de reação ao fato. ‘Algo não está nada bem’. Vai em direção ao quarto da mãe.
- Mãe abre a porta.
- Me deixe em paz Mariana.
- Mãe você não ta legal. Abre a porta!
O silencio é a resposta de Mari. Devagar volta a cozinha e senta-se pensativa na mesa. Ouve a porta abrir e a empregada adentrar o ambiente. Bem, quando a Joyce quisesse falaria com ela. Ainda pensativa custa a perceber o telefone tocando.
- Alo?
- Mari?
- Lisa!!!! O coração da jovem acelera. – Estava pensando em você.
- Mesmo? Que bom Mari! Olha, eu estou ligando porque resolvi voltar hoje para São Paulo.
- Como é? Mari sente como se lhe jogassem um tijolo bem no meio dos olhos.
- Pois é linda. Eu... bom... Resolvi voltar hoje, mas não poderia ir sem despedir de você.
- Posso ir ai agora?
- Estou esperando.



Lisa abre a porta com um sorriso suave. Estava linda como sempre. Mari não consegue disfarçar a tristeza do olhar. Lisa a abraça com carinho.
- Mari... Não fica assim. Até parece que estou indo para outro planeta!
- Para mim é como se fosse Lisa... você é a única mu... er... adulta que eu confio e desabafo.
- Então me ligue sempre que precisar. Pode ser a cobrar.
- Hã... ok... – De repente vem a memória de Mari a atitude estranha da mãe.
- Lisa, minha mãe sabe que vai partir?
A loira engole em seco.
- Não Mari... Por quê?
- Ela está estranha esta manha. Bem estranha. Nem ligou quando disse que vinha vê-la.
Lisa sente o coração se apertar.
- As pessoas mudam Mari.
- Não minha mãe. Li... um dia posso ir visitá-la em SP?
Lisa a abraça mais uma vez sorrindo.
- Minha casa está sempre aberta para você Mari. Venha vamos tomar um suco no jardim.
A conversa flui naturalmente entre elas. Mariana se sentia bem com Lisa. Esta conversava com ela sem fazer distinção de idade. Sentia-se tranqüila, sem medo de Lisa a ver como uma adolescente boba e sem papo. Lisa respeitava a maturidade de seus 15 anos.
- Lisa... Como você descobriu que gostava de meninas?
Lisa se assusta com a pergunta e engasga com o suco. Tossindo muito e forçadamente olha de lado para Mariana que aguardava pacientemente a resposta.
- Ah... bom... eu... ah... foi... eu gostei... de uma colega e... e... é isso né.
- Falou, falou e não disse nada. Quantos anos você tinha? Quem era a menina? Alias era menina da sua idade? Ou alguém mais velho? Como foi que ficaram juntas?
Lisa arregala os belos olhos castanhos. ‘ Fudeu’
- Mari... Mariana...bom, ah... eu era um pouco mais velha que você e... gostei de uma menina de minha sala. E pronto, só vou dizer isso.
- Por quê???
- Porque devo respeitar a outra pessoa. Não vou sair contando os nomes das mulheres que sai ate hoje.
- Nossa!! Tantas assim? – Mariana não consegue esconder um tom de ciúmes na voz e Lisa a olha surpreendida.
- Por que a curiosidade Mari?
- Eu... eu... ah sei lá. Acho normal querer saber mais sobre isso. Mas vem cá Lisa. – Mariana se ajeita melhor na cadeira - E minha mãe? Sabia? Por isso vocês cortaram amizade? Porque ela descobriu?
- Mariana, prefiro não falar deste assunto está bem? Não me sinto a vontade de falar de minha vida.
- Hum... – Mariana olha Lisa nos olhos e suspira tentando disfarçar a decepção pela falta de informação. Lisa mantém o olhar fixo no da jovem surpreendida pela profundidade deste. Depois de alguns segundos o desvia. Sentia-se desconcertada com o olhar tão firme e profundo. Isso a assustava, pois por alguns segundos não parecia olhar para os olhos de uma jovem de 15 anos.
- Um dia Mariana posso lhe falar mais sobre isso ok.
- E por que um dia? Acha que poderá me influenciar nas escolhas? Me poupe né Lisa. Eu já sei bem o que quero.
- Mesmo? E o que quer?
Mari fixa novamente os belos olhos verdes nos seus.
- Que minha alma gêmea perceba a minha existência e se conscientize que vim pra ela. Só para ela.
Lisa há olha um pouco descrédita.
- Meu Deus Mari! Acredita mesmo nisso de almas gêmeas?
- Acredito Lisa. Totalmente.
- Mas... por acaso já sabe quem é a sua? Parece ter tanta certeza.
- Não vem ao caso né Lisa. Também tenho meus segredos como você. O que sei é que de alguma forma tudo tem que acontecer. Eu sinto! É o destino.
- O destino somos nós que fazemos Mari.
- Não Li, nos temos o livre arbítrio, mas o que viemos para cumprir acontece.
- Ok... Lisa a olha condescendente. – Mas não esqueça que muitas vezes as pessoas se desviam do caminho traçado. Diz imitando um sinal de aspas com os dedos.
- Lisa... Não me pergunte por que, mas eu sei que vai acontecer. É assim... simplesmente acontece. Mari a olha já um pouco impaciente, deixando entrever sua personalidade forte ainda não totalmente moldada pela vida.
- Ok. ok. Mas... e nesse meio tempo? Não vai se envolver com ninguém ate sua... alma gêmea chegar?
Mari se avermelha ligeiramente.
- Não sei... talvez sim... talvez não. Não sei mesmo. Vontade não tenho.
- Está bem Mari. Olha se quer um conselho, não deixe a vida passar só por acreditar nisso. Viva, namore, conheça pessoas diferentes.
- Só? Você disse só? Você não tem direito de menosprezar o que penso Lisa!
- Não quis dizer isso Mari, por favor!
- Não quis, mas disse. Olha você pode não acreditar, mas o destino quando traçado não muda. Pode demorar, mas acontece.
- Tudo bem Mari.
- Tudo bem nada!!! Não peço que acredite só respeite tá!
- Táaaa! Acabou?
Mari ligeiramente emburrada cruza os braços e passa olhar a rosa bem a sua frente. Lisa sorri ligeiramente e toca seus cabelos com carinho.
- Desculpe Mari. Você tem razão. Não tinha o direito de desmerecer o que acredita. Me desculpa?
- Tudo bem... ‘ você me derrete Lisa’ Pensa sufocando o sentimento que expandia em seu peito e extravasava nos belos olhos. Aquecida pelo carinho de Mari, Lisa a abraça e beija os belos cabelos negros.
- Sentirei sua falta pequena feiticeira...
Mariana fecha os olhos conformada e emocionada com o apelido carinhoso. Era a primeira vez que o ouvia. Seu espírito acalenta a certeza que o destino não tardará. Era preciso paciência. Ergue a cabeça e sorri para Lisa.
- Eu também Lisa... eu também...


Luiza aguardava impaciente no saguão do aeroporto. O telefonema de Lisa a pegara de surpresa. Porque esta decidira voltar mais cedo? O que acontecia? Sente as mãos geladas e tremulas e fecha os punhos buscando controlá-las. É quando vê Lisa aparecer a sua frente.
Lisa caminha devagar em direção a mulher amada. Para na sua frente e sorri amorosamente.
- Lu... Eu amo você.
- Como? Lisa... eu...
- Lu... Quer dividir sua vida comigo? Hoje? Agora? Para sempre? Presente e futuro? Preciso de você. Só de você. Sem duvidas, sem receios... inteiramente.
Luiza sente o coração se aquecer.
- Você... tem certeza? Aconteceu algo?
- Sim Lu... aconteceu. Descobri que cansei de viver do passado. Amo meu presente e mais ainda a pessoa que está a meu lado nele.
Deixando o carrinho em que carregava as malas de lado e sem se importar com as pessoas que passavam Lisa abraça Luiza fortemente.
- Você é meu amor Luiza... Você é minha felicidade presente. Você é meu futuro. Amo você. – Ergue a cabeça do colo moreno – Amo você.
E segurando o rosto amado beija-lhe os lábios saudosa. Não importava os olhares críticos e confrontados. Estava nos braços de seu amor.
Luiza a abraça feliz. Não lhe interessa os caminhos que Lisa percorrera as formas que utilizara para se conscientizar de seu amor. Ela a tinha agora por inteiro. Só isso lhe importava. Lisa lhe pertencia... para sempre.



As duas chegam impacientes no prédio que moravam. Luiza ainda no elevador larga a mala de Lisa no chão e a agarra sôfrega. Beija-lhe com ânsia despertando em ambas o desejo. A loira a agarra pelos ombros e geme extasiada, as pernas tremulas. Ansiosa pega a mão de Luiza e a põe entre suas pernas.
- Vê... Sente o desejo que me desperta. Me come amor.
- Safada!! Luiza abre o fecho da calça jeans de Lisa e busca com os dedos seu ponto de prazer.
- Meu Deus amor... quer me deixar louca! Arfa ao sentir o quanto sua mulher estava molhada!
- Quero... vem... me fode... mete em mim mete! Lisa se oferece a bela morena. Um beijo ainda mais profundo acontece. As línguas saudosas do sabor amado não se cansam de dançar embaladas no desejo de seus corpos.
Luiza ergue a blusa de Lisa e afasta o sutiã, beijando-lhe os seios freneticamente Enfia a outra mão no jeans da amada e segura sua nádega com força.
- Você quer é? Então vai ter safada! Você é minha!
- Sou... sua...só sua! Lisa geme alto e roucamente
Tentando ajudar Luiza segura o cós do jeans e o desce até os joelhos.
- Te amo Lu... te amo... vem...
Inesperadamente o elevador pára. Em choque, ambas olham as portas se abrirem. Luiza tenta esconder o corpo de Lisa, mas o espelho atrás dela não deixava muito à imaginação.
O casal idoso pára encabulado. A mulher chocada não tirava os olhos do espelho que mostrava as mãos de Luiza ainda a segurar o quadril da amada. Encabulada ela as retira e se vira para o casal.
- Er... linda noite não!?
- Que absurdo! Que pouca vergonha é essa? Alfred vamos embora!
O tal Alfred não tirava os olhos do espelho. Sorrindo safado, pisca para Luiza e diz.
- Aproveitem! Tentando ver o rosto de Lisa emenda. – Só se é jovem uma vez!
- Alfred venha já!!! Vou denunciar estas... moças ao condomínio. Pouca vergonha! ALFRED!!!
O velho hesitante e lamentoso solta a porta do elevador que se fecha lentamente. Lisa sai de detrás de Luiza totalmente vermelha.
- Meu Deus... Meu Deus!
Luiza a olha com o rosto serio. Lisa se encontrava com a blusa erguida e a calça abaixada ate os joelhos expondo a calcinha vermelha transparente. Lentamente o rosto vai se transformando e ela solta uma gargalhada estrondosa. Lisa a olha indignada, mas logo faz coro com a amada. As duas se abraçam fortemente. Nunca a vida lhes parecera tão maravilhosa!!


Não importa o que o passado fez de mim. Importa é o que farei com o que o passado fez de mim.
(autor desconhecido)

sábado, 24 de outubro de 2009

CAP.XVIII

A sexta amanhecera chuvosa. Joyce caminha pelas ruas do bairro resmungando. Fora uma semana péssima. Tudo dando errado. O olhar se torna ainda mais revoltado ao lembrar a noite de sexta com Lisa. Tudo corria bem até ela dar aquele showzinho bem típico dela. Pior; ver a filha chegar no dia seguinte toda feliz por causa dela... Isso mesmo!!! Ela! Lisa! E para terminar receber um telefonema do desaforado, mal humorado de seu marido dizendo que voltaria sábado e não domingo como o previsto.

Pisa em uma poça de água e grita revoltada. ‘Que dia!! Que dia!! QUE SEMANA!’

Joyce não admitiria nem por jura brava que todo seu nervo era frustração. Ter Lisa nos braços e não tê-la era desesperador. ‘Tudo bem assumo. Lisa é meu ponto fraco, minha sina, meu desejo. Praga!!! Praga!!! Praga!!!’ Passa as mãos pelo cabelo respirando angustiada.

- Ei Jô curtindo o solzinho?

A morena olha surpreendida para trás e dá de cara com Marcos pai de Lisa.

- Oi Marcos! O tempo está ingrato demais. - ‘ Se bem que combina com minha vida’

- Verdade. Custei a querer sair da cama. Mas ainda assim vou ter que ir a Lagoa Santa no sitio. Deixei varias coisas ao ar livre e com esta chuva... Mas e você? Que faz?

- Deixei o carro na oficina. Ele está esquentando. Pedi uma revisão. Como é perto resolvi voltar andando. Mas Marcos, você vai agora pro sitio?

- Já to saindo. Só fui ali no João pegar minhas ferramentas – Diz sorrindo e erguendo ligeiramente o braço a mostrar as mesmas.

- Ah, legal... e... vai sozinho?

- Joyce até parece que não conhece Paula – Marcos gargalha – Vou com minha mulher a tiracolo. – O ar dramático e fingido esconde o orgulho e prazer que tem pela compania da esposa.

- Mas... e Lisa? Não vai?

- Não, Lisa resolveu que a tarde vai visitar umas amigas por ai. Eu sinceramente, com este tempo, também não ia querer ir a um sitio.

Joyce tenta esconder o empolgue.

- Bom!!! Quer dizer... bom, boa viagem Marcos. Volta hoje ainda né.

- Não sei Jô... talvez. Vamos ver o que encontro por lá. Se cuide e beijos na afilhada.

- Ok... Darei vários... se ela deixar. Rindo e esquecida do mau humor Joyce segue seu caminho. Um plano começava a traçar na sua mente.

Chega à casa ansiosa e corre para o quarto. Tira toda a roupa e entra debaixo do chuveiro. Ali permanece por longos minutos. Veste-se informalmente e coloca uma suave maquiagem. ‘ Tudo bem natural, ao acaso. Apenas não fui trabalhar hoje, só isso.’

Com um sorriso safado e ligeiramente irônico se olha no espelho. ‘Perfeito’.

Pega a bolsa, sai do quarto, cumprimenta rapidamente a babá das crianças e sai para a rua em direção a casa de Marcos e Paula.

Já ia tocar a campainha quando o portão abre-se repentinamente.

- Marcos! Que susto! Põe a mão sobre o coração, os olhos arregalados.

- Oh, olá Joyce. Já estávamos de saída. Diz apontando o carro do outro lado da esquina, cujo assento de passageiro encontrava-se Paula. Ligeiramente avermelhada Jô dá um aceno tímido para ela que com ar preocupado, mas simpático retribui.

- Bom Marcos, eu... Na verdade, eu vim conversar com Lisa.

- Algo serio?

Marcos relanceia um olhar para Paula e sente um aperto no coração. Uma ânsia de ficar se faz presente, mas ao mesmo tempo encara a situação como algo que Lisa, sua filha, deve resolver. Já era mais que tempo elas definirem a situação.

- Não... eu... é sobre Mariana. Não quero ser motivo para que elas se afastem.

- Ah sei... bom, entre de uma vez então Jô. Você sabe onde fica a chave reserva. Lisa ainda está dormindo. Temos mesmo que ir antes que caia outra tempestade.

Marcos atravessa a rua, entra no carro e antes que a esposa abra a boca diz.

- Paula, elas que são adultas que se entendam.

- Mas Marcos, Lisa será pega de surpresa. Não é correto.

- Talvez seja o melhor. Deus faz as oportunidades. Cabe a nós fazermos valer à pena.

Paula silencia. Talvez Marcos esteja certo. Às vezes o melhor é lavar as mãos e deixar os filhos enfrentarem seus dilemas.

Com o coração aos pulos Jô adentra a casa dos pais de Lisa. Respira fundo várias vezes tentando se acalmar e devagar caminha em direção ao antigo quarto da loira. Ao entrar estaca emocionada. Lisa dormia tranquilamente, a expressão do rosto totalmente relaxada. A boca úmida e entreaberta convida a beijos apaixonados. Devagar se aproxima da cama sussurrando baixinho o nome do antigo amor. Lisa inconsciente se mexe sobre a cama colocando-se de bruços e expondo as costas nuas. O coração de Jô dispara. ‘Ela estava nua!’. O lençol a cobria até a cintura expondo a suavidade das costas delicadas. Devagar quase com referencia Jô a toca, deslizando os dedos por sua coluna. Lisa geme suavemente. Sem conseguir se conter Jô senta-se a beira da cama e, suspirando, desliza agora as duas mãos pelo corpo desejado. Passa as mãos pela lateral do corpo de Lisa sentindo o contorno dos seios. Sem pensar se é certo ou errado afasta o lençol e não consegue conter o gemido rouco ante a visão da nudez de Lisa. Fascinada não consegue desviar o olhar do corpo perfeito. Sentindo uma emoção há muito tempo esquecida, toca as nádegas de Lisa as apertando com delicadeza. Esta afasta ligeiramente as pernas, quase inconscientemente. Joyce não consegue tirar o olhar da loira indefesa e exposta e suavemente adentra a mão por entre as pernas de Lisa a tocando intimamente. Lisa dá outro gemido e suavemente abre as pernas como a permitir um toque ainda mais profundo. Isso descontrola totalmente Joyce que se inclinando sobre a outra começa a distribuir beijos pelas costas amadas. Lisa geme mais alto ao sentir a língua deslizar por toda a extensão de seu corpo e vira-se para cima abraçando a morena. O beijo inevitável estremece os corpos insaciados e imediatamente Jô se põe sobre Lisa esfregando seu corpo no dela. Desliza os lábios ate alçar os seios rosados e os chupa enlouquecida. Tinha Lisa novamente nos braços.

Lisa gemia enlouquecida. Que sonho maravilhoso estava tendo. Luiza deslizava as mãos por seu corpo e a beijava enlouquecida. Seus seios eram degustados quase com desespero e ela os oferecia ansiosa pela satisfação que não tardaria. Abraça a amada e sussurra sedutora.

- Me come amor... Me faz sua... Me mostra seu desejo.

Joyce, sem acreditar no que acontecia, desce a boca até o sexo da loira e a chupa. Como era maravilhoso sentir o gosto de Lisa. Nunca esquecera este sabor. Geme baixinho e a saboreia por longos minutos antes de colocar língua dentro de Lisa.

Esta suspira extasiada.

Joyce se ergue novamente em direção a boca de Lisa e a beija apaixonadamente. Toca-a intimamente e quando a penetra Lisa não consegue conter o grito.

- Lu!!! Ah Lu, que saudade amor!

Abre os olhos a querer ver o rosto moreno transformado pela paixão e arregala os olhos em choque.

- JÔ!!!

Joyce decepcionada e angustiada sente o coração sangrar ao ver a expressão horrorizada da loira.

Com um grito, agora revoltado e desesperado, Lisa tira os dedos da morena de dentro de si e impulsiona o corpo para cima, atirando Joyce que estava desprevenida no chão.

Enrola-se no lençol e ergue-se da cama encostando-se nervosa no armário às suas costas.

- Você é louca? Que estava fazendo? Saia de meu quarto!!

Joyce se levanta do chão ainda mais nervosa.

- Louca é você! Como ousa dizer o nome de outra ante meu toque?

Lisa a olha abobada e revoltada.

- Porque para mim era a ‘outra’, que por acaso é minha namorada, que me tocava!

Joyce engole em seco e passa as mãos nos cabelos negros. Lisa acompanha seu gesto ainda mais nervosa. A morena era tão linda que às vezes isso lhe parecia um afronta a força de vontade de não ceder.

- Saia de meu quarto Jô. Agora!

- Sair? SAIR? Você quer que eu fique Lisa! E sabe disso. Você pode negar muitas vezes, quantas quiser, mas você adora meu toque. – Joyce tenta esconder a decepção que sentia em pensar que Lisa gemia, não para ela, mas sim para a... outra.

- Seu toque!! Você abusou de mim! Aproveitou que eu dormia! Meu Deus Jô, não imaginei que descesse tão baixo. Esfrega a mão na testa quase deixando o lençol deslizar sobre o corpo. O segura mais forte ao ver os olhos negros se desviarem pára seus seios.

- Saia daquiii!!!!!

Joyce se aproxima dela ainda angustiada.

- Sei que o que fiz não foi correto Li, mas... Você estava tão linda dormindo... tão... você. Eu... – Passa novamente as mãos tremulas no cabelo – Eu não resisti. Precisava tocá-la.

Lisa suspira tensa. Aperta as pernas e sente revoltada o quanto estava molhada.

- Lisa... Olha – Jô ergue as mãos – eu to entregue. Eu to aqui me expondo para você. Tudo bem, eu errei, mas... está alem de mim. Eu... ainda amo você.

Lisa a olha ainda mais chocada.

- O que???

- Eu... nunca esqueci você Lisa. E Deus sabe o quanto tentei. Seu toque... seu corpo... – Ergue a mão e desliza os dedos pelo colo de Lisa. – Tão suave... tão... certo.

Lisa fecha os olhos ante as palavras sussurradas suavemente e o toque delicado. Sente o corpo estremecer quando Jô segura sua mãos.

- Você é maravilhosa Loirinha. Te quero tanto!

O lençol desliza para o chão expondo mais uma vez a nudez de Lisa. Joyce sorri deliciada e então aperta os seios claros.

- Você está gostando não é? Adora ser tocada nos seios. Sempre gostou. – lambe os biquinhos rígidos. – São deliciosos... Que saudade nossa!!

Lisa espalma as mãos no armário atrás de si e geme ao sentir os lábios de Jô descerem por seu corpo. Esta se ajoelha diante dela e começa a sugar entre gemidos roucos o clitóris inchado da loira.

- Li... Li...

Sem se conter Lisa começa a movimentar os quadris. Joyce se ergue e novamente aperta os seios maravilhados. Ansiosa a penetra com os dedos e suspira ao sentir o interior tão úmido e sequioso. Era tão bom! Tão bom! Sorri vitoriosa e cheia de prazer.

- Vê Li... não adianta lutar. Você me pertence. Você sempre será minha!

Ao escutar as palavras Lisa sente um baque no coração. Abre os olhos e cessa os movimentos do corpo. Joyce sem se aperceber da quietude repentina da loira continua a tocá-la apaixonadamente.

- Li... Li... sussurra e a olha apaixonadamente. O olhar de Lisa estava claro. Tão claro quanto se lembrava quando a vira partir a tantos anos atrás. Seu coração se desespera ante este olhar. Nunca o passado se fizera tão presente.

- Lisa? NÃO!! Lisa você é minha!

Agarra a loira em desespero, a beija enlouquecida e a penetra ainda mais profundamente. Lisa começa a se debater em seus braços.

- Me solte! Me deixe!

- NÃO!!! Não de novo! Você não vai me deixar! Você é minha Li!!!!

- Joyce! Me solte!

Consegue se libertar dos braços morenos e coloca uma distancia segura entre elas. Jô imediatamente se apóia no armário começando um choro sentido.

Lisa a observa em silencio. O coração antes tão magoado começa a se acalmar. Devagar caminha em direção à mala, de onde tira um vestido de verão que põe sobre o corpo nu.

Suspirando senta-se sobre a cama.

- Jô... Precisamos conversar.

- Não... Lisa... de novo não... você não pode...

Lisa tensa esfrega os dedos na testa e ergue o olhar para a morena que a observava agora numa pose de total derrota. Nunca o silencio dissera tanto entre elas. Quando Jô dissera que lhe pertencia Lisa imediatamente sentira o coração gelar. Esta a sua frente não era sua “dona”. O rosto de Luiza surgira ante seus olhos e o corpo todo esfriara, a paixão por Jô toda se esvaíra. Finalmente mente corpo e coração se uniam na certeza que somente uma mulher poderia satisfazer todos os seus desejos, ânsias e paixões. Somente uma mulher poderia completá-la e a fazer a mulher mais feliz do mundo. A felicidade lhe pertencia e nunca isso lhe estivera tão claro e presente em sua vida. Luiza era sua amiga, sua amante, seu AMOR. O desejo por Jô se fora... assim como se fora todo o passado.

O olhar de Lisa mais uma vez feria o coração de Joyce. Tão claro, mas com uma luz diferente. Joyce sente mais uma vez as lágrimas virem aos olhos. Estava derrotada. Não mais lhe importava Lisa ver isso. Olha novamente para Lisa que a olhando com um misto de pena e certeza.

- Não me olhe assim!!!! NÃO ME OLHE ASSIM! Lisa! Eu te amo!

- Não Jô, você não me ama. Você só ama a si mesma. E sabe... Acho que apesar de tudo você é feliz assim.

- Não é verdade! Lisa... Você sabe que gosta de meus toques.

- Não é que goste Jô. Na verdade eu estava presa ao passado. Você é uma pessoa única e marcante em minha vida. – Olha para a morena na certeza de suas palavras – Jô, nunca poderei negar que te amei. Mas como a adolescente que fui e não como a mulher que sou hoje. Esta mulher já tem um amor que a completa e realiza.

Joyce sente os ombros pesarem nas costas. Parecia que toda sua energia esvaia do corpo. Caminha devagar até a cama e se senta derrotada ao lado de Lisa que delicadamente lhe segura as mãos.

- Jô... finalmente o passado está onde deve estar. Você é linda, mas não é meu amor. Não mais.

- Você... Lisa... você gemeu em meus braços... você me quis.

- Não posso negar isso. Sabe... eu não conseguia separar as coisas. Passado, presente, tudo parecia a mesma coisa dentro de mim. Na verdade eu queria resgatar a gente, o que tivemos. O que não percebia era que isso é impossível. Porque não somos mais as mesmas não é?

- Fale por você Lisa! Continue! Tente se enganar! Você sabe que tudo isso é ilusão de sua mente! Nunca aceitará né! Nunca aceitará que sou eu que te farei feliz!

- Jô... Jô... – Lisa a olha tristemente. Era incrível como a conscientização de um sentimento fazia com que toda a paixão fosse embora. Era como se de repente ela se torna-se Joyce... simplesmente. A amiga de infância, a companheira de brincadeiras. A paixão sumira e com isso resgatara os sentimentos de carinho e afeto.

- Jô... eu... gosto de você. Mas não mais como amante, como... companheira. Você é minha amiga!

- NÃO QUERO SUA AMIZADE!! QUERO SEU AMOR!

- Que amor Jô? Um amor omisso, escondido, do qual se envergonha?

- Não é assim... Você não entende!

- Entendo melhor que pensa Jô. Olha, está na hora de nos focarmos em quem verdadeiramente amamos ou queremos. Volte pra casa, converse com seu marido, me esqueça, esqueça o passado. Não sou mais parte de você e nem você de mim.

Joyce sente o coração estremecer. As palavras de Lisa eram tão definitivas! Tinha vontade de agarrá-la, mostrar que suas palavras eram vazias, superficiais. Mas era como se a loira tivesse erguido uma barreira invisível sobre seu corpo. Sentia-se intimidada, insegura, perdida. Todo o poder que acreditava ter sobre os sentimentos da outra, pareciam agora fantasias de sua mente. Solta as mãos das de Lisa e abraça o próprio corpo balançando-se para frente e para trás.

- Jô... Para com isso! Lisa sentia o coração apertar. Mesmo ela não conseguia entender tudo que acontecera. Como que diante da paixão pela outra, viera a certeza que não a amava, não a queria.

Nunca se sentira tão leve na vida, tão certa sobre qual caminha deveria trilhar. O pensamento se volta para Luiza. Precisava tanto vê-la, contar seu amor, suas verdades.

- Vou embora.

Lisa desperta de seus pensamentos e observa Joyce se erguer da cama e caminhar tropegamente em direção a porta.

- Jô, espera! Não vai assim. Vamos conversar.

- Apenas me deixe ir Lisa. Apenas... Me deixe partir.

E sai, fechando a porta devagar. O coração parecia querer explodir no peito de tanta dor. Viera à casa de Lisa com a certeza que conseguiria tudo dela. Seu corpo, sua mente, seu amor. E saia com a certeza que a perdera. Não havia como explicar isso. A postura do olhar, do corpo de Lisa, tudo a colocava fora de seu alcance. A paixão não superava um amor verdadeiro essa era a verdade. Usara o passado para seduzi-la e saia com um presente sombrio. Olha para trás, para a porta fechada e sente mais uma vez os olhos se encherem de lagrimas. Nunca o amor em seu coração fora tão verdadeiro. E por isso partia.

Lisa ouve os passos se afastarem. Suspira triste e ao mesmo tempo aliviada. Um sentimento de alegria e tristeza dentro de si se faz presente. Alegria por redescobrir em Joyce, seu amor do passado, a amiga verdadeira e única. Vê-la sem magoas e sem dor. Era como recuperar o melhor do passado sem ter que vivenciá-lo a cada dia. E tristeza por permitir que toda a magoa e dor as fizesse perder o melhor de ambas. A amizade e o carinho de toda uma vida.

Um momento único e derradeiro sentido de formas tão diferentes por ambas.

Lisa, pensativa e extasiada, se alegrava com a certeza de seu amor por Luiza e com a nova historia de amor que construiriam juntas. Suspira suavemente e olha o relógio. Será que ainda haveria tempo de trocar a passagem e antecipar a volta para São Paulo?

Joyce, derrotada e infeliz, caminha pela calçada com a certeza que nunca mais teria seu amor nos braços. Para e olha para trás, para a casa que acabara de deixar. Fora momentos tão bons... Tão únicos. Seriam gravados para sempre em seu coração. Suspira como que conformada. Volta a caminhar cabisbaixa e observa o traçado uniforme e reto das pedras que pisava. Era um caminho certo, com destino único. Igual o destino que ela escolhera e que traçaria para sempre em sua vida.

A gente não se liberta de um hábito atirando-o pela janela: é preciso fazê-lo descer a escada, degrau por degrau. (Mark Twain)

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

CAP.XVII

Paula olha as horas. ‘Quase 12h e Lisa não se levanta’. Estava preocupada, pois sabia que a filha saíra na noite anterior com Joyce. Ainda pensava se a acordava ou não quando a campainha toca.

Mariana sorri quando Paula abre o portão.

- Ei madrinha! Lisa já ta pronta?

- Ei Mari. Filha, ela ainda nem levantou.

- Como não!? Ficamos de passar a tarde no shopping – Mariana faz um ar de decepção, mas este não dura muito tempo. – Vou lá acordá-la. Vim mais cedo pra almoçarmos juntas.

Paula prefere silenciar e com o olhar acompanha a afilhada ir em direção ao quarto que Lisa dormia. Balança a cabeça preocupada. ‘ Detesto sentir que algo de muito errado pode acontecer. Lisa e problemas parecem caminhar juntos em BH’

Mariana abre a porta do quarto vagarosamente. O ambiente já bem claro iluminava a silhueta de Lisa sobre a cama. Devagar se aproxima e percebe no rosto da loira uma expressão tensa e olheiras bem profundas. Sua expressão se modifica de alegre para preocupada e com movimentos cautelosos senta-se na beira da cama. Desliza o olhar sobre o corpo de Lisa vislumbrando os contornos deste por baixo do lençol que a cobria. Suspira enlevada e assim permanece a velar pelo sono de Lisa por longos minutos.

- Ela não acordou Mari?

Mariana salta da cama ao chamado da porta. Assustada vê Paula a encarando interrogativa.

- Er... não ...eu... To com dó de acordar ela. Ta dormindo tão gostoso!

- Pois trate de acordá-la. Já é meio dia. Isso não é hora de estar na cama – Paula olha a filha preocupada.

- Ok madrinha, já vou acordá-la.

Mari acompanha Paula sair do quarto e volta o olhar para Lisa. ‘ Dó viu. ’

Aproxima da cama e sacode Lisa delicadamente.

- Li? Acorda. É meio dia. Acorda vai.

- Ai me deixa! Lisa se vira de costas e põe o travesseiro sobre a cabeça.

- Li, sua mãe ta chamando... Olha acorda. A gente combinou sair lembra? – Mari mais uma vez sacode Lisa delicadamente.

Lisa ouve uma voz ao longe, mas ignora. Resmunga baixinho e volta a dormir.

- LISA ACORDA!!!

Lisa grita e levanta apavorada olhando para os lados assustada.

- TÁ LOUCA!

Mariana põe a mão na boca. Às vezes usava este método para acordar a mãe, mas esta nunca dormia nua. Seus olhos deslizam deslumbrados por todo o corpo de Lisa. ‘ Uau... uau... uau...UAU’

- Mariana? Que faz aqui?

Lisa põe a mão sobre o coração e respira fundo.

- Mariana?

A loira vê o olhar da jovem fixo nela e se olha indagativa. Nua! Ela estava nua!

- Hã... Acho que já viu uma mulher nua antes acredito.

Mariana desvia o olhar dos seios delicados.

- Eu... já... na academia é um desfile.

Lisa caminha pelo quarto tentando aparentar naturalidade. Nunca tivera inibições com seu corpo, mas aquela jovem de 15 anos conseguira com um olhar constrangê-la.

Abre a gaveta pega a roupa de baixo e sem olhar Mariana caminha em direção ao banheiro.

- Vou tomar um banho rápido. Um minuto ok.

Mari acompanha Lisa descaradamente em direção ao banheiro. Não conseguia desviar o olhar de Lisa.

- Er... Você percebeu as horas Li?

Lisa sem graça de fechar a porta na cara da jovem entra no Box e liga o chuveiro.

- Não Mari. Que horas são?

- Meio-dia.

- QUE?

- Pois é. Eu vim ver se podíamos almoçar no shopping.

Lisa suspira tensa. Não conseguira dormir bem à noite. Ensaboa o corpo sem se aperceber que sua silhueta era visível a Mari que se encontrava sentada no vaso sanitário. Mari não sabia explicar o que estava sentindo. Acompanha Lisa passar o sabonete sobre os seios e descê-lo ate a virilha. Não consegue desviar o olhar do sexo de Lisa mesmo quando esta para de ensaboá-lo. O coração dispara quando Lisa vira-se de costas para ela. Começa a sentir um calor sufocante e sem ar se levanta e caminha para fora do banheiro.

- Vou à cozinha ver se madrinha quer alguma coisa.

E sai praticamente fugida dali. Já no quarto geme assustada. Ergue as mãos e as observa tremulas.

‘ Mari idiota, você pra ela é uma adolescente. Uma criança. Ela nem ligou de ficar nua na sua frente. Nem te vê como mulher. ’ Suspira procurando acalmar o coração. Queria tanto ser mais velha. Sem se aperceber os minutos vão passando e ela ali... parada no meio do quarto.

- Uai Mari, não foi na cozinha?

Mari dá um pulo apavorada.

- Caraca!!!! Quer me matar? Que susto!

Lisa gargalha divertida.

- Bem feito! Tá descontado.

Só de calcinha e sutiã vai ate a mala de onde tira um jeans justo e uma blusa de alcinha.

- Parece que o dia esta quente né. Comenta observando a forma que Mariana se vestia. Esta usava jeans justo e uma mini blusa verde que realçava os olhos delineados com rimel.

- Super quente. – Mari se sentia sem palavras. Só sabia observar Lisa que após se vestir vai em direção ao espelho. Acompanha com o olhar Lisa escovar os longos cabelos e aplicar uma suave maquiagem no rosto.

- Tudo bem Mari? – Lisa observa a jovem pelo espelho. Percebia o olhar fascinado da mesma, mas não punha maldade nele.

- Tudo... Mari se senta sobre a cama e suspira.

Lisa se vira para ela. Estranho; Mari era a cara de Joyce, mas ao mesmo tempo era tão diferente.

Joyce carregava uma energia muitas vezes sufocante. Era agitada e extrovertida. Mariana já parecia ser mais ponderada, fechada.

- Está tudo bem Mari?

- Ah? – Mari olha surpreendida para Lisa – Está sim... Por quê? Parece não estar?

O ar de culpa no rosto da jovem deixa claro que esta escondia algo.

- Não... Não parece. Foi só uma pergunta. Bem... Vamos sair?

Já no shopping as duas andam e se divertem olhando vitrines e comentando as roupas da moda. Lisa não consegue deixar de comparar Mari com Joyce. Em sua mente voltam as lembranças das duas adolescentes rindo e brincando no shopping... A briga, a raiva que sente quando Junior atrapalha o programa das duas. Parecia tudo tão distante. Tudo mudara, inclusive elas. Devagar se vira para Mari que ria e caminhava contando casos da escola. Como ela era diferente de Jô e até dela mesmo. A postura era mais adulta, as conversas mais centradas. Mari para de falar momentaneamente e a olha encabulada. Nesse momento Lisa se apercebe que a estava encarando fixadamente.

- Desculpe Mari... Não pude deixar de fazer comparações entre você e Joyce. Vocês são tão diferentes.

Mari para e volta o corpo para a loira. Os olhos verdes e profundos não revelavam seus pensamentos. Impressionante como seus olhos eram brilhantes e misteriosos. Não pareciam pertencer a uma jovem de 15 anos. É como se fosse um espírito velho no corpo de uma jovem. ‘É isso’, pensa Lisa ‘ os olhos são o espelho da alma’.

- Talvez sim Lisa, talvez não.

Volta a caminhar, desta vez em silencio. Lisa lhe acompanha os passos também calada.

- Sabe Lisa. Muitas pessoas dizem que pareço com minha mãe. Tento realmente ver isso, mas não dá. Sou geniosa sim, mas não carrego aquela carga que minha mãe carrega.

- Carga?

- Sei lá. Um peso sabe. Eu... Minha mãe não é feliz. Ela finge ser, mas não é. Fico boba como ela deixa as coisas acontecerem e finge não ver. Eu não sou assim. Eu gosto de pensar que sou mais corajosa sabe. Falando serio Lisa, me espelho muito em você.

- Em mim?

- É... Quando soube que você gostava de... mulheres eu nem liguei. Ao contrário, amei a forma como você assumiu sabe. Tenho raiva quando falam mal de você e tal. Pra mim é exemplo. Posso te perguntar uma coisa?

- Hã... Pode.

- Minha mãe cortou relação com você porque revelou que era sapa... er... lésbica?

Lisa engole em seco. Como responder sem mentir?

- Bom Mari... Isso é um assunto delicado. Me impressiona você aceita-lo tão bem.

- Nem sei se aceito sabe. Na verdade eu acho tão natural, sei lá. Não vejo nada demais. Pra mim é a mesma coisa Li. Acho pior quando vejo essas meninas que ficam direto com os caras por ai. Sabia que na minha sala até fazem apostas de quem fica com mais carinhas na noite? É ridículo demais meu! Prefiro a sapata ali que curte sua menina e fica na dela à putinha da escola. É muito mais gente.

- Vou ignorar o termo sapata – Lisa diz rindo – mas gostei de sua posição.

Mari põe a mão sobre a boca.

- Ui Li não disse pra ofender.

- Não ofendeu linda. Lisa sorri e passa o braço por seu ombro.

- Mas ainda não me respondeu de minha mãe Lisa. – Ante o silencio da loira continua – Eu tenho uma lembrança vaga de um dia que você foi à minha casa e vocês duas brigaram. Sei que você foi embora sem despedir e minha mãe... Ela chorava igual um bebê. Nunca tinha visto minha mãe chorar assim. Talvez por isso guardei este dia na memória.

Lisa estremece. Este dia também não sumia de suas lembranças. Balança a cabeça como a afastar os fantasmas do passado.

- Mari... Tem muitas coisas que contribuíram para que eu e sua mãe nos afastássemos. Mas com certeza o rompimento final foi porque eu resolvi me assumir. Minha família já sabia e aceitava. Com certa dificuldade, mas ficaram de meu lado. Já sua mãe... ela... temeu o falatório e tudo mais. E não quis mais nossa amizade.

- Mas Li, burra dela! Você sempre esteve do lado dela. Como ela te faltou quando você precisou?

- Mari, na verdade foi uma decisão mutua. Eu também não quis mais manter a amizade. Infelizmente a vida muda as pessoas. Eu e sua mãe mudamos.

- Mas não entendo!

- Melhor assim Mari. Quanto menos pessoas entenderem melhor. O que você tem que fazer é pensar no presente e futuro. Sua mãe pode ter seus defeitos, mas lembre-se que ela não impediu que você mantivesse contato comigo, mesmo com nossas desavenças ok.

- Eu sei...

Mariana encara Lisa encabulada. Gostaria de conversar com ela sobre seus conflitos, seus sentimentos. Mas algo em seu interior dizia que se mantivesse em silêncio. Lisa não era a pessoa que nesse momento a compreenderia e apoiaria.

- Vamos comer? To varada!

Lisa ri e acompanha Mari. A tarde prometia ser prazerosa e relaxante.

Luiza novamente pega o telefone para discar para Lisa. E novamente o põe no gancho. Nenhum contato, nem terça, nem quarta. A tensão deixava marcas em seu rosto. Tudo bem que decidira dar espaço para Lisa, mas esquecera que o coração nem sempre acata as decisões da mente.

O telefone toca a tirando de seus pensamentos.

- Oi, diz meio grossa.

- Hã... Doutora Luiza... Telefone para a senhora... É a Doutora Lisa.

- Lisa!!! Passa logo menina! Ansiosa aguarda a transferência da chamada.

- Lisa?? Lisa?

- Lu!!! Que bom te ouvir!!

- Lisa! Ei! Que barulhada é essa?

- Estou no shopping com Mariana! Vamos almoçar e depois estamos pensando em ir ao cinema. Mas liguei para saber de você.

- Eu estou bem amor... E por ai?

- Razoável.

- Por quê?? Acontece algo? Você... fez algo?

- Hum... Conversamos ai. Mas... nada aconteceu para temer ok. E... Estou com muitas saudades Lu. - A voz de Lisa abaixa o tom - Você me faz falta amor.

- Li...

- Sinto falta de seus braços, de seu toque, de você.

Luiza respira saudosa.

- Você... volta?

Lisa percebe as varias perguntas não ditas em cima da pergunta feita.

- Volto. Eu volto. Lu tenho que desligar. Te ligo a noite ok. Beijos amor.

Luiza põe o fone no gancho. Percebera um tom inseguro na voz de Lisa. Ainda assim o coração parecia mais leve.

‘ Quer saber? Vá à merda Lu, você e seu ultimato ridículo. Lisa não terá chance de escolha. A opção dela será eu... ou eu.’

Levanta-se da cadeira, a pose mais arrogante que nunca. Sentia-se confiante. Nada como recuperar o velho ímpeto. ‘ Burrice Lu, você entregando seu amor assim de bandeja pra mongol mineira. ’

Uma suave batida na porta lhe tira de seus pensamentos.

- Doutora Luiza? – A enfermeira adentra o consultório. – tem um senhor a sua procura na recepção.

- Senhor? Tenho alguma consulta marcada para este horário?

- Não senhora. Ele disse que é um amigo seu.

Um tanto surpresa e desconfiada Luiza caminha em direção a recepção.

Qual é a sua surpresa ao ver parado a sua espera... o marido de Joyce.

Carlos sorri quando vê Luiza caminhar em sua direção. A mulher era realmente de parar transito. Uma beleza madura, forte e atraente.

- Er... olá? –Luiza não consegue esconder a surpresa ante a presença do marido de Joyce.

- Olá Luiza! Que bom vê-la. Espero não ser uma surpresa desagradável.

- Mas... Como? Quer dizer... como sabe que trabalho aqui?

- Bom Marcos, no dia da festa, me disse o nome da clinica aqui em SP onde a filha trabalhava. Como disse que trabalhavam juntas foi fácil. - Sorri carismático ciente do poder que exercia nas mulheres. - Mas espero não estar sendo inconveniente. O caso é que estou a trabalho em SP e não vi mal em vir vê-la e convidar para almoçarmos juntos.

Luiza suspira exasperada. O cara não via mal?? Santa paciência!

- Olha... Carlos não é!? Infelizmente eu não posso sair para almoço. Tenho um cliente daqui a alguns minutos. Mas espero que sua estadia corra bem em SP.

Vira-se para se retirar, mas Carlos a segura pelo braço.

- Bom... e um jantar? Reconheço que fui impulsivo vindo aqui sem avisar, mas... poderíamos jantar juntos? Olha você não se arrependeria. Acredito que vai adorar. Sei ser... prazeroso quando quero.

- Prazeroso e atirado pelo que vejo.

- Ora Luiza. A vida é curta. E sempre nos surpreende. Aprendi que não devemos perder tempo. E gostei de você.

- Deixe-me entender. Você gostou... e então decidiu vir a meu encontro. Estou certa?

- Exatamente!

Luiza o encara séria. Suspira, tira a mão de seu braço e com um gesto convida Carlos a acompanhá-la ate uma sala reservada.

- Carlos, melhor me acompanhar. Acho que... precisamos conversar melhor.

Carlos feliz a acompanha. Não existiam mulheres sapatas. Existiam mulheres mal amadas e servidas. Logo Luiza entenderia o que estava perdendo e estaria em seus braços.

Já dentro da sala Luiza se vira devagar para o espécime masculino a sua frente.

- Bem Carlos... o chamei aqui por um motivo obvio. Gostaria que fosse claro em seus objetivos.

- Como? Ora Luiza, não existe motivos. – Carlos sorri simpático. – Você é amiga de Marcos e Paula que são pessoas que quero muito bem. Sou sempre aberto a novas amizades.

- Também os quero muito bem Carlos. – Arrogante Luiza o encara agora mais firmemente. – Até porque são os pais de minha namorada. E como tal não acho conveniente sair com você.

Carlos sente o colarinho de a camisa apertar seu pescoço. Não esperava que Luiza fosse tão direta.

- Er... eu não sabia. Mas... que mal há nisso? Podemos ainda assim nos divertir na compania um do outro.

- Ok Carlos... serei ainda mais direta. Não me interessa fazer amizades com sua pessoa. Não tenho porque almoçar ou jantar com alguém que não tirou os olhos de meu decote na festa da própria filha, sentado ao lado da própria esposa.

- Você esta enganada Luiza. - Carlos apura o corpo e fecha a expressão buscando intimidar a medica. – Não existe segundas intenções em meu convite.

- Mesmo? Faz isso com todas as pessoas que conhece em festas?

- Não, claro que não. Você esta me interpretando errado.

- Então vejamos. Será que você não seria mais um que acredita que eu, como lésbica, preciso na verdade de um bom macho para conhecer o verdadeiro prazer sexual?

Carlos emudece e encara a medica surpreendido.

- Carlos... esse discurso é tão tediante. Vocês homens não o mudam. Sinceramente, se quer trair sua esposa busque alguém que goste do que tem abaixo da cintura ok. Agora se puder sair de minha sala agradeço.

- Você se acha mesmo hem doutora Luiza? Estou surpreso. É uma pena, mas terei que decepcioná-la. Acredita realmente que vim com esta intenção? Eu vim aberto a uma amizade. O fato de você ser lesbica não me incomoda. Se não queria sair comigo bastava um não.

- Ok. Não.

- Não?

- Não. – Luiza o olha irônica.

Carlos sente a raiva e decepção brotar dentro de si. Raramente uma mulher não se deixava levar por seu carisma e simpatia. Olha a bela mulher a sua frente e novamente o inconformismo se instala dentro dele. A desejava e ela vinha dizer não? Que era... sapata? A frustração o dominava.

- Sinceramente, não entendo realmente você gostar de mulheres. Nunca será uma relação completa. Isso não é normal!! A mulher foi feita para o homem e não existe outra opção. Não é coisa de Deus!

- E é coisa de Deus você pegar um avião, vir a outro estado e trair e desrespeitar sua esposa. Seu Deus é bem conivente. – Luiza cruza os braços e o encara com falsa benevolência.

- Isso não lhe diz respeito. - Carlos se aproxima de Luiza. – Olha se dê uma chance. Vai gostar de estar comigo eu garanto.

Luiza longe de se sentir intimidada dá um sorriso irônico e arrogante ao advogado.

- Estranho... Muitos homens me cantam, mas você me passa algo de insatisfatório. – Põe a mão sobre o queixo e sorri descendo o olhar gelado pelo corpo do advogado – É isso. Você me passa frustração sexual. Sendo casado, imagino que deva ser do casamento.

- Saia comigo e vera o quanto está enganada – Carlos sorri altivo.

Luiza continua como se não o tivesse ouvido.

- Com a mulher ma-ra-vi-lho-sa que tem em casa, imagino que ela o esteja recusando. É isso Carlos? Sua esposa não o quer mais? Não consegue satisfazê-la?

- Você não sabe nada de minha vida pessoal. A situação aqui é entre nós. – Carlos fica serio.

- Não existe nós Carlos. Existe você, e sinceramente está me causando pena. Vá para casa e tente convencer sua esposa que ainda tem um bom pinto em funcionamento. Não corra atrás do impossível. – Arrogante Luiza abre a porta e o encara fria. – vamos fingir que este momento não aconteceu.

Carlos não quer dar fim ao embate entre eles. A presença da morena o motivava e não queria perder isso.

- Olha pode ate ter razão. Meu casamento não anda muito bem. Vamos sair como amigos... Nada mais que isso. Podemos somente conversar.

- Não sou psicóloga Carlos. Seus problemas não me interessam. Não estou aberta a amizades. Não gosto de homens. Fui clara? Agora adeus – E aponta a saída.

Carlos abre a boca, mudo, varias vezes sem achar um motivo para permanecer na sala. Passa por Luiza apressadamente e se retira indignado da clinica.

‘Santa paciência. Eu mereço. E depois ainda perguntam por que cada dia mais aumenta o numero de lésbicas no mundo. ’

"Espere o melhor, prepare-se para o pior e recebe o que vier". (Provérbio chinês)